Controle de acesso sem toque é o futuro do mercado de biometria

Reconhecimento facial 3D sem falha de leitura e terminais sem contato são algumas das principais soluções de controle de acesso da IDEMIA

Por Fernanda Ferreira

A IDEMIA é uma empresa líder mundial em biometria e há 23 anos atua localmente no Brasil implantando suas soluções em projetos de todo o país. A empresa inaugurou recentemente um showroom em São Paulo e tem grandes lançamentos de produtos para 2022, seguindo a tendência global do mercado de controle de acesso. Para falar sobre o momento que a empresa vive no Brasil, conversamos com Ricardo Miralha, gerente regional de vendas da IDEMIA para o Brasil e Cone Sul.

Revista Segurança Eletrônica: A IDEMIA se apresenta ao mercado como uma líder global em identidade aumentada. O que significa esse termo?

Ricardo Miralha: A IDEMIA é uma empresa multinacional global que está presente em mais de 80 países e conta com cerca de 15 mil colaboradores em todo o mundo. O nome IDEMIA é relativamente novo, surgiu em 2017 como resultado da fusão de duas empresas na área de identificação: a Safran Morpho e a Oberthur Technologies.

Dessa forma, a IDEMIA é uma empresa focada em soluções de identificação. Cada vez mais as pessoas estão transitando do mundo físico para o mundo digital, seja para fazer uma compra online, para efetivar uma transição bancária, se conectar através de uma rede de celular, para fazer identificação por meio de biometria ou para usar o seu documento digital. O conceito de “identidade aumentada” engloba tudo isso, ou seja, várias soluções que a IDEMIA tem focadas em identificação que fazem essa transição do mundo físico para o mundo digital.

Atualmente, a IDEMIA é a única empresa que tem todas essas soluções. Nós produzimos, por exemplo, a carteira de motorista de 22 estados dos Estados Unidos; no Chile, fazemos os passaportes e as identidades de todo o país – lá o “RG” é um cartão inteligente, não é feito de papel como no Brasil. Já na parte de telefonia nós produzimos os cartões SIM que vão dentro dos telefones e na parte de biometria somos líderes mundiais, temos soluções como reconhecimento facial, impressão digital com e sem contato, sistemas para autenticação biométrica para transação bancária, entre outros.

Revista Segurança Eletrônica: Quais são as principais soluções da IDEMIA para o mercado de segurança?

Ricardo Miralha: Na linha de terminais biométricos nós temos o MorphoWave. É o produto que temos mais sucesso, porque é uma tecnologia única que consegue ler as quatro impressões digitais com um único movimento de mão – deslizando a mão pelo sensor –, é o mais rápido do mercado. Em termos de fluxo, conseguimos chegar a mais de 50 pessoas por minuto autenticando suas biometrias. É uma solução extremamente eficiente, temos inúmeros projetos realizados em várias verticais no Brasil. Temos o VisionPass, solução de reconhecimento facial em 3D. Trata-se de um terminal que se diferencia muito no mercado por ser o único que trabalha com três câmeras: visual, infravermelho e 3D, trazendo mais resiliência ao projeto uma vez que consegue trabalhar em qualquer condição, seja com pouca ou muita luz, além de manter a performance independente da etnia e gênero do usuário.

Também contamos com a linha mais tradicional chamada Sigma, que são leitores de impressão digital de contato.

Revista Segurança Eletrônica: A pandemia trouxe algumas mudanças para o mercado, principalmente na questão de controle de acesso com toque. Vocês sentiram alguma mudança nesse sentido?

Ricardo Miralha: A linha Sigma, que é a impressão digital de contato, segue com muitas vendas. Obviamente que por conta da pandemia, em um primeiro momento, os clientes acabaram optando pelas soluções sem contato.

Vou dar uma explicação um pouco contraditória do que o mercado entende hoje, mas é a nossa visão: de uma hora para outra o leitor de impressão digital acabou sendo o vilão da história, porque as pessoas precisam tocar o dedo no equipamento, mas na verdade o mundo é de contato, às vezes a pessoa quer evitar de tocar no sensor, mas esquece de todas as maçanetas são de contato, o botão da cafeteira é de contato e o botão do elevador é de contato. A nossa visão é que sim, essa questão do contato é um problema, mas a nossa recomendação é que as pessoas façam uma higienização das mãos depois de tocar em qualquer superfície de uso comum, não só a questão do sensor biométrico.

Realmente a procura por terminais sem contato cresceu muito por conta da pandemia, entretanto, a solução com contato é um produto importante da nossa linha e segue com grandes projetos.

Revista Segurança Eletrônica: Vocês realizaram algum projeto recentemente voltado para esse “novo normal”?

Ricardo Miralha: Sim, em parceria com a Compet nós instalamos na sede da operadora de saúde Care Plus, em Barueri – São Paulo, um sistema de autenticação por biometria sem contato. Eles já tinham outras soluções de controle de acesso na instalação, era um ambiente híbrido que tinha parte de biometria de contato e parte cartão, então eles aproveitaram o tempo que a sede administrativa ficou funcionando de maneira parcialmente fechada para modernizar o sistema de controle de acesso.

Foi aplicado nesse projeto o MorphoWave para controle de acesso das áreas comuns trazendo para o cliente uma série de benefícios, como mais agilidade no processo de acesso – o MorphoWave é um produto incrível que não tem falha na leitura, o índice de falsa rejeição é praticamente zero – e mais confiabilidade, ajudando na reabertura das atividades normais da Care Plus.

Além da Care Plus temos importantíssimos clientes em várias outras verticais, como setor financeiro, de clubes, área educacional, indústria, etc. Um dos maiores projetos na América Latina é um cliente grande do comércio eletrônico que utiliza os nossos produtos em diversos centros logísticos pelo Brasil e por toda região LATAM. A tendência de modernizar, de dar o acesso sem contato, cresceu em diversas verticais.

Revista Segurança Eletrônica: Como é a atuação de vocês no país?

Ricardo Miralha: A IDEMIA tem presença local no Brasil desde 1998. Atualmente a empresa possui escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e uma fábrica em Cotia (SP), e conta com cerca de 600 colaboradores no país. A maioria desses profissionais trabalham na nossa fábrica em Cotia, onde produzimos cartões para diversos bancos e bandeiras e SIM card para operadoras de telefonia.

Falando da divisão de terminais biométricos, a nossa atuação é 100% através de parceiros, nós não vendemos os terminais diretamente para os clientes finais, sempre entre a IDEMIA e o cliente final existe um integrador.

Esse parceiro compra os nossos produtos através das nossas revendas aqui no Brasil, hoje temos por volta de 10 revendas no país que importam os produtos fabricados na França, mantém estoque e atendem esses integradores.

Nós fazemos um trabalho muito forte também no cliente final para geração de demanda, nós vamos diretamente até o cliente, mostramos a solução, fazemos todo o trabalho de convencimento e no momento específico nós colocamos um parceiro nosso, que é o integrador, que vai justamente fazer o trabalho de integrar as soluções e entregar para esse cliente a solução funcionando.

Revista Segurança Eletrônica: Qual o posicionamento de mercado da IDEMIA em projetos?

Ricardo Miralha: Os produtos da IDEMIA são posicionados no topo da cadeia em termos de tecnologia e usuários finais. No setor financeiro, por exemplo, a nossa solução biométrica está presente em quatro dos cinco principais bancos do Brasil. O nosso produto oferece uma segurança sem igual, e é isso que as empresas buscam: performance e conveniência. O colaborar, visitante ou cliente não quer apresentar a face duas, três vezes para entrar no local, ele quer ter agilidade e velocidade.

Nós também atuamos em alguns pontos importantes que nos diferenciam no mercado, um deles é a questão da privacidade, todos os produtos da IDEMIA são aderentes as normas mais rigorosas de privacidade, nós cumprimos a GDPR europeia, ou seja, quando se fala em biometria, nós não armazenamos nenhum dado biométrico de imagem do usuário, nem foto nem impressão digital. Todos esses dados são codificados no que chamamos de template, que é uma representação matemática da imagem, com isso, nós atendemos não só a legislação europeia, que a mais rigorosa de todos, como a LGPD no Brasil.

Revista Segurança Eletrônica: Recentemente a IDEMIA firmou uma parceria no Aeroporto de Congonhas. Poderia compartilhar o que está sendo feito por lá?

Ricardo Miralha: É um projeto piloto que está sendo realizado pela divisão PSI (Public Security & Identity) da IDEMIA, chama-se Embarque Seguro. É uma iniciativa do Ministério da Infraestrutura de tornar o processo de embarque mais rápido, mais eficiente e mais seguro. Hoje, se você pegar um voo doméstico, você precisa apresentar o seu documento e nada impede que seja um documento falso. Esse projeto piloto que estamos fazendo juntamente com a Digicon (eles fornecem as catracas e nós toda a solução de biometria), é justamente para tornar o processo mais seguro, ou seja, terá uma prova de identidade biométrica no momento da verificação.

A ideia do embarque seguro é justamente proporcionar uma comodidade para o passageiro de ele não ter que apresentar nenhum tipo de documento ou papel, ele simplesmente entra e faz o embarque sem ter que encostar em nada, sem ter que apresentar nenhum papel.

Esse projeto iniciou alguns meses atrás com os passageiros e nessa segunda fase agregaram os tripulantes. Foi a primeira ponte aérea biométrica do Brasil.

Revista Segurança Eletrônica: Na sua opinião, quais são as tendências e o futuro da identificação biométrica no Brasil e no mundo?

Ricardo Miralha: A tendência agora é uma procura muito maior por soluções sem contato. Para a nossa visão de futuro todos os nossos novos desenvolvimentos estão sendo focados nisso, é uma tendência que veio para ficar. Nós já tínhamos soluções sem contato antes desse momento que estamos vivendo de pandemia, e a tendência é cada vez mais criar soluções nessa linha. Vamos ter novidades ano que vem para o nosso portfólio no que se refere a soluções sem contato, é por aí que está caminhando o mercado.

Revista Segurança Eletrônica: O que podemos esperar de novidades para 2022?

Ricardo Miralha: Estamos com lançamentos agora para o começo do ano para reforçar o nosso portfólio de produtos sem contato, isso em termos de produto. Em termos de estratégia, estamos concretizando novas parcerias, novos distribuidores estão vindo para reforçar a nossa presença nacional; e em termos de estrutura também, pretendemos crescer o número de pessoas para fazer um trabalho mais forte no que refere a geração de demanda, isso cria valor para toda a cadeira. A partir do momento que a IDEMIA está presente no cliente final gerando demanda para os nossos parceiros integradores, gerando demanda para as nossas revendas, isso tem muito valor e isso que estamos buscando para o ano que vem, reforçar a nossa participação em clientes finais para gerar demanda dos nossos produtos.

Além disso, recentemente nós inauguramos um novo showroom que está no nosso escritório na Av. Faria Lima, em São Paulo. É um espaço que está aberto para receber tanto clientes finais como os nossos parceiros integradores e as nossas revendas, é um local que temos todos os nossos produtos instalados funcionando. Ficamos todo esse tempo com o escritório parcialmente fechado, mas agora já começamos a receber clientes para conhecer esse espaço, é muito importante porque ali nós conseguimos demonstrar todas as nossas soluções em funcionamento.

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