A teoria das janelas abertas

Por Percival Barboza

Seguro – Latim. securus, a, um no sentido de ‘tranquilo, calmo, que não teme’. Do latim. sine no sentido de ‘sem’, e latim. cura no sentido de ‘inquietação, aflição, angústia’.

Em outro artigo recente, nesta mesma revista (Edição 12 – Jan/18), argumentamos sobre a fundamental determinação da Arquitetura sobre os recursos de que você pode dispor para sua segurança. Desta vez, gostaria de expor uma ideia que considero ainda mais fundamental, que são suas atitudes em relação a sua segurança. Chamei de Teoria das Janelas Abertas, pegando carona na excelente obra Teoria das Janelas Quebradas de James Wilson e George Kelling, publicada em 1982. A ideia aqui é de que suas atitudes abram janelas, por onde você pode ver e decidir sobre sua segurança.

A segurança em seu significado literal, etimológico, nos deixa tranquilos quando a temos. Mas como sabemos que a temos? Este estado seguro é alterado em função do tempo e do ambiente, e sentimos esta necessidade a cada hora e local de modo diferente. É apenas um sentimento ou é o resultado de situações e ações das quais somos conscientes? É um comportamento individual ou coletivo?

A segurança ocorre de forma diferente em círculos concêntricos que partem do indivíduo, da sua família, da sua casa, da sua coletividade mais próxima, do seu bairro, cidade e assim por diante, expandindo-se sempre na direção de ameaças diferentes, e da crescente impossibilidade de consciência e controle individual. Quanto mais distantes do nosso círculo interno menores as possibilidades de termos consciência, controle e possibilidades de avaliarmos respostas satisfatórias a estas ameaças. Quanto mais distantes de nosso círculo interno maiores as dependências de decisões de terceiros, mais extensas e remotas as tecnologias, que funcionam de maneiras que não compreendemos muito bem, operadas por sujeitos dos quais desconhecemos as motivações ou, hoje em dia, por algoritmos programados por sujeitos mais distantes ainda. Por outro lado, diversas iniciativas, inclusive tecnológicas, vem sendo desenvolvidas e enfatizam em primeiro lugar a premência e participação de cada indivíduo na sua segurança e na segurança de todos.

Abrir as janelas significa ter, cada vez mais, consciência dos riscos que lhe afetam e de como você pode mitiga-los.

A primeira janela é sobre você e seu círculo interno de proteção. Abrir esta janela significa dedicar um tempo para sua segurança. Parar, pensar e analisar. Pense na sua casa, sua família, seus amigos e pessoas mais próximas. Certifique-se de que você possui as atitudes e os meios necessários para ver e ser alertado sobre situações indesejadas. Saiba quem chega à sua porta.

A segunda janela é sobre reconhecer e ser reconhecido. No seu círculo próximo, ou seja, na coletividade na qual você está inserido, seja seu condomínio, bairro ou empresa. Procure integrar- se, aos seus vizinhos e pessoas locais. A segurança de um é a segurança de todos e a segurança de todos é a segurança de um. A convivência é fundamental. Compartilhe informações. Entenda os interesses comuns. Neste círculo próximo, talvez você dependa de alguma tecnologia, sistemas e pessoas para ser informado sobre acontecimentos. Certifique-se de que estes sistemas valorizam a participação de todos. Certifique-se que lhe proporcionem uma visão estendida e, principalmente, lhe dão poder de decisão sobre situações que lhe afetam diretamente. Estas decisões vão lhe tomar algum tempo, solicitar alguma dedicação, tempo que será recompensado pela sua consciência dos fatos. Não delegue a terceiros decisões sobre sua segurança que possam lhe afetar diretamente, da mesma forma como você não fornece a estranhos sua senha bancária. Assim, novas janelas são abertas sobre os sistemas que devem lhe proteger. Janelas por onde você pode olhar e ver. Certifique-se de que você possui condições de avisar a terceiros sobre determinada situação de risco que esteja vivenciando.

Quanto mais você afastar-se do seu círculo interno, você mesmo, mais janelas poderão ser abertas e mais pessoas e sistema terão que estar envolvidos e compartilhados.

Abra janelas sobre a sua segurança. Elas estão mais próximas de você do que você pode estar pensando. Cada atitude que você pode tomar, cada comportamento que você pode adotar, cada ação que você pode compartilhar com aqueles do seu círculo próximo, cada um que você puder agregar a este círculo, com interesses comuns, e dependendo das suas possibilidades, cada sistema, câmera, alarme, sensor, tela, pessoas, entre as inúmeras ofertas existentes e renovadas a cada dia, são janelas que você abre sobre a sua segurança.

Janelas por onde você e cada um podem olhar e ver.

Esteja consciente e tranquilo.

Percival Campos Barboza é arquiteto e consultor para segurança.

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