A crise de segurança como consequência da pandemia

Por Paulo Nascimento

A crise que emergiu com a pandemia do coronavírus reacendeu o debate sobre a importância do gerenciamento de riscos e, também, de um plano de continuidade de negócios em muitas organizações, colocando à prova sua resiliência, assim como a capacidade de resposta dos líderes diante de um cenário sem precedentes.

Nos últimos anos, a busca pela capacidade de adaptação rápida e, ou, de um retorno ao estado anterior após a ruptura, fez com que profissionais competentes especializados em gestão de riscos se destacassem em suas organizações, tendo como principal missão analisar o ambiente externo e interno e, por meio de dados qualitativos e quantitativos, prever ameaças às organizações.

Após a pandemia do coronavírus, quais os riscos que poderão surgir e desencadear novas crises? No início da pandemia e, em função do isolamento social, muitos comércios, sejam eles atacados ou varejistas, passaram a temer ser alvo de ações de saque. A verdade é que este risco nunca esteve relacionado ao vírus, mas sim à crise econômica como consequência ao coronavírus.

Isso significa que o risco para saques e arrombamentos deve continuar a existir e, provavelmente, irá aumentar devido ao crescimento exponencial do desemprego no Brasil. Pensando que 8,9 milhões de pessoas perderam seus empregos somente no segundo trimestre de 2020 e, a partir do final do ano, o auxílio emergencial que injetou no comércio cerca de R$ 151 bilhões, como estará a condição econômica da população sem emprego e sem dinheiro?

E o problema não para por aí. A crise econômica não afeta somente os cidadãos que cumprem seus deveres, mas, também, o crime organizado que, além de usar sua receita para o financiamento de outras transgressões, a usa para associar algumas comunidades por meio de ofertas de cestas básicas e outros serviços. Além disso, a falta de recurso obtido com o tráfico de drogas faz com que outras fontes de receita sejam intensificadas, tais como os roubos a bancos, carros fortes, comércios e caixas eletrônicos.

E quando pensamos no contexto interno das organizações, os riscos de fraudes e correlacionados também podem aumentar. Isso porque, os desvios estão relacionados ao comércio ilegal, que tende a crescer diante da redução da capacidade de compra, pois, essa, impulsiona as pessoas a procurarem outros meios para satisfazer seus anseios por produtos de tecnologia e vestuário, entre outros.

Todos esses cenários apresentados, quando associados à instabilidade política gerada pela falta de atendimento aos serviços básicos e, também, pela discordância da condução em relação à liderança na pandemia, podem gerar grandes revoltas populacionais, semelhantes às vividas em 2016, quando tivemos a paralisação de serviços essenciais em decorrência de greve, bloqueio de vias importantes, depredação de patrimônio, entre outros.

Portanto, é preciso ressaltar que o monitoramento dos eventos associados aos indicadores desses riscos é um primeiro passo, mas ainda é preciso construir um plano de contingência que auxilie na tomada de decisões que possam mitigar o risco e minimizar o potencial de dano ao negócio por meio de ações de controle de ameaças. O alerta aqui é para a importância de constituir planos ágeis de resposta a possíveis incidentes, que permitam proteção às pessoas e integridade das instalações físicas para a retomada dos negócios.

Paulo Nascimento é consultor de segurança empresarial da ICTS Security, consultoria e gerenciamento de operações em segurança, de origem israelense.

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