Especialista detalha como o departamento de Tecnologia da Informação passou a influenciar desde a arquitetura dos sistemas até a escolha de fornecedores, redesenhando a estratégia do setor para 2026
Por Fernanda Ferreira
O setor de segurança eletrônica entra em 2026 deixando para trás a era dos sistemas isolados. O que vemos agora é uma fusão irreversível entre a segurança física e a Tecnologia da Informação (TI). Esse movimento foi analisado por Luis Ceciliato, Gerente Nacional de Vendas para o Brasil da Axis Communications, em um artigo recente no qual ele aponta cinco tendências tecnológicas que devem impactar diretamente o setor de segurança ao longo de 2026,que são: a escolha de ecossistemas abertos em vez de produtos isolados; a consolidação de arquiteturas híbridas (que unem nuvem e processamento local); o poder da computação de borda (IA dentro das câmeras); a explosão do monitoramento móvel e a busca das fabricantes pela autonomia tecnológica no desenvolvimento de seus próprios chips.
Para entender como essa movimentação impacta o dia a dia de quem projeta, instala e utiliza segurança, conversamos com o Ceciliato, que detalhou como a infraestrutura de rede, a inteligência artificial e o novo papel dos diretores de TI estão redesenhando o mercado brasileiro.
Revista Segurança Eletrônica: Luis, você escreveu no seu último artigo que há uma aproximação crescente entre as áreas de segurança física e tecnologia da informação. Na sua visão, como essa mudança de “quem decide a compra” altera a natureza dos projetos de segurança em 2026? O que um Diretor de TI busca hoje que é diferente do que o antigo gestor de segurança buscava?
Luis Ceciliato: Essa mudança transforma completamente a lógica dos projetos. Antes, a segurança era pensada como um sistema fechado, muitas vezes focado apenas em vigilância e reação a incidentes. Hoje, quando os gestores de segurança e TI passam a trabalhar juntos, o projeto precisa nascer integrado à infraestrutura de rede, às políticas de cibersegurança e à estratégia digital da empresa. O CIO busca escalabilidade, interoperabilidade, padrões abertos, proteção de dados e retorno sobre investimento ao longo do tempo. Não é mais apenas “ver imagens”, mas garantir que o sistema converse com outros softwares corporativos, seja resiliente, seguro do ponto de vista cibernético e preparado para evoluir com novas aplicações, trazendo dados e uma análise que traz eficiência em varios aspectos para o cliente e projeto.
Revista Segurança Eletrônica: Um dos pontos que você defende como tendência é a priorização de ecossistemas abertos em vez de produtos isolados. Para o leitor que ainda está acostumado a comprar hardware baseado apenas em preço ou resolução, poderia explicar por que a capacidade de integração se tornou o critério de sobrevivência para um projeto?
Luis Ceciliato: Porque o hardware sozinho não resolve mais os desafios atuais. Um projeto baseado apenas em preço ou resolução tende a ficar obsoleto rapidamente. Ecossistemas abertos permitem que o cliente escolha as melhores soluções ao longo do tempo, integrando câmeras, softwares de vídeo, analytics, controle de acesso, áudio e outras aplicações sem ficar preso a um único fornecedor por falta de integração ou funcionalidade. Na Axis, acreditamos em padrões abertos justamente para proteger o investimento do cliente. A capacidade de integração garante flexibilidade, longevidade e a possibilidade de extrair valor além da segurança, algo essencial em um cenário onde tecnologia precisa acompanhar o ritmo do negócio.
Revista Segurança Eletrônica: Muito se fala sobre a nuvem, mas você aponta a consolidação das arquiteturas híbridas. Na prática, como o integrador deve equilibrar o que é processado localmente e o que vai para a nuvem? Existe uma “fórmula ideal” para garantir eficiência sem estourar o orçamento de largura de banda do cliente?
Luis Ceciliato: Não existe uma fórmula única, e esse é justamente o ponto. A arquitetura híbrida permite que cada cliente encontre o equilíbrio ideal. Processar dados na borda, diretamente na câmera ou no dispositivo, reduz o tráfego de dados, diminui a latência e traz respostas em tempo real. A nuvem entra como um complemento estratégico, seja para gerenciamento centralizado, análises avançadas, armazenamento escalável ou acesso remoto. O papel do integrador é entender o contexto operacional, o volume de dados e os objetivos do cliente para desenhar essa arquitetura de forma inteligente e sustentável.
Revista Segurança Eletrônica: Entrando no tema da computação de borda, as câmeras hoje são verdadeiros computadores. O que a inteligência artificial embarcada nos dispositivos atuais entrega de tão diferente das gerações anteriores? Como essa inteligência na ponta ajuda a resolver os problemas operacionais frequentes, como alarmes falsos, que sempre foram uma dor de cabeça para o setor?
Luis Ceciliato: A grande diferença é a capacidade de entender contextos, e não apenas detectar movimento. A IA embarcada permite que a câmera diferencie pessoas, veículos e outros objetos relevantes, reduzindo drasticamente os alarmes falsos causados por chuva, sombras ou animais. Isso muda o dia a dia da operação, porque o sistema passa a ser mais confiável e acionável. Além disso, ao processar esses dados localmente, garantimos respostas mais rápidas, maior privacidade e menor dependência de infraestrutura externa. Um ponto essencial é entender os cenários do cliente e definir as soluções de IA adequadas na escala e assertividade que o cliente necessita.
Revista Segurança Eletrônica: Com o amadurecimento do 5G e a chegada do Wi-Fi 7 ao Brasil, como essas novas fronteiras de conectividade sem fio estão permitindo que o monitoramento móvel se torne uma solução robusta e não apenas temporária?
Luis Ceciliato: Essas tecnologias trazem estabilidade, baixa latência e largura de banda suficiente para aplicações críticas. Isso significa que soluções móveis, como torres e trailers de monitoramento, deixam de ser improvisadas e passam a fazer parte de estratégias permanentes. Se garantir conectividade confiável, é possível transmitir vídeo de alta qualidade, aplicar analíticos em tempo real e integrar esses sistemas aos centros de controle, com o mesmo nível de confiabilidade de uma instalação fixa. Outra tendência que vemos chegando na América Latina nesse ponto, são as redes LTE privadas, onde a principal vantagem é garantir a criptografia dos dados, assim como, estabilidade.
Revista Segurança Eletrônica: Ainda sobre o monitoramento móvel, em quais verticais de negócio você percebe que essa tendência terá o maior impacto ao longo deste ano? Estamos falando apenas de grandes eventos e obras, ou outros setores também já estão prontos para essa mobilidade?
Luis Ceciliato: Não apenas. Grandes eventos e obras continuam tendo um uso importante, mas vemos um crescimento claro no setor público, no agronegócio, na logística e até em utilities. No agronegócio, por exemplo, a mobilidade permite proteger áreas remotas e acompanhar operações sazonais. No setor público, ajuda em ações temporárias de segurança urbana. A mobilidade amplia o alcance da segurança e leva tecnologia a lugares onde antes era inviável instalar infraestrutura fixa. Por fim, sabemos que infraestrutura é um desafio nacional, e essas aplicações poderão ajudar em todos esses cenários.
Revista Segurança Eletrônica: Em seu artigo, você toca em um ponto sensível: a autonomia tecnológica e o desenvolvimento de chips próprios pelas fabricantes. Por que ter o controle de componentes-chave, como sistemas de chip (SoC), é tão vital para a segurança e para a proteção contra as instabilidades que vimos na cadeia global de suprimentos nos últimos anos?
Luis Ceciliato: Ter controle sobre componentes críticos significa garantir segurança desde o nível mais básico do dispositivo. No caso da Axis, o desenvolvimento de chips próprios permite incorporar recursos avançados de cibersegurança, desempenho otimizado para IA, possibilidade de trazer novas tecnologias, como o decodificador AV1 e maior previsibilidade na cadeia de suprimentos. Em um cenário global instável, isso protege nossos parceiros e clientes contra descontinuidades, além de assegurar que o produto entregue faça exatamente o que foi projetado para fazer, sem dependências externas imprevisíveis.
Revista Segurança Eletrônica: Olhando para o futuro imediato, os metadados gerados pelos sistemas inteligentes estão sendo usados para além da segurança. Como o integrador pode apresentar esse valor extra para o cliente, mostrando que o sistema de vídeo pode ajudar também outros departamentos a entenderem padrões de comportamento?
Luis Ceciliato: Antes de tudo o integrador precisa entender as dores do cliente e os cenários que ele tem. É comum que essas dores envolva outros departamentos, como RH, marketing, TI, operações e logistica. O que precisamos ter em mente é que as tecnologias precisam trazer eficiência operacional, segurança e dados para uma tomada de decisão que ajude o negócio do cliente a manter as pessoas seguras. Quando o cliente percebe que o sistema de vídeo contribui para eficiência operacional e inteligência de negócio, a segurança deixa de ser custo e passa a ser investimento estratégico.
Revista Segurança Eletrônica: Para finalizarmos, qual é o seu conselho para o profissional de segurança eletrônica que está lendo esta entrevista? Diante das tendências tecnológica de 2026, qual deve ser o primeiro passo para ele se atualizar e continuar competitivo neste novo mercado liderado pela TI?
Luis Ceciliato: O primeiro passo é entender que redes, cibersegurança, softwares e dados deixaram de ser um diferencial e passaram a ser pré-requisitos.
O profissional que investir continuamente em capacitação, buscar parcerias com fabricantes que apostam em inovação aberta e compreender profundamente o negócio do cliente estará preparado para competir nesse novo mercado.
A segurança eletrônica em 2026 é, definitivamente, um tema de tecnologia e estratégia. Por isso, recomendo que todos acessem www.axis.com e conheçam o nosso programa Axis Academy. Posso garantir que é a plataforma mais completa do setor em termos de capacitação: nela é possível avaliar seu nível de conhecimento e ter acesso a mais de 30 treinamentos gratuitos.
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