Por Alexandre Chaves
Empreender no Brasil nunca foi tarefa fácil, ainda mais em um setor desafiador como o de segurança eletrônica. Desde 1996, venho vivendo essa realidade na prática: fundei empresas, fui auditado inúmeras vezes, seja para ingresso de novos sócios ou em processos de venda de participação e da própria empresa. Ao longo dessa jornada, realizei três vendas no setor.
Foram conquistas importantes, mas também momentos duros que deixaram cicatrizes, mas, sobretudo, aprendizados. E é justamente dessa vivência que nasce a vontade de compartilhar alguns pontos com você, dono ou executivo de empresa, seja pequena, média ou grande, que enfrenta os dilemas de estruturar a estratégia, governança e gestão em um setor cada vez mais competitivo.
A rotina empresarial é implacável. Problemas do dia a dia parecem sempre mais urgentes do que discutir visão de futuro, metas ou indicadores. O resultado? A estratégia acaba sendo deixada para “quando sobrar tempo”. Só que esse momento nunca chega. E aí entra uma frase que repito constantemente: a estratégia é devorada no café da manhã. Se ela não estiver no centro da mesa todos os dias, a operação engole qualquer plano de longo prazo.
O que costumo ver, e também já vivi na pele, são armadilhas comuns: gestão excessivamente centralizada no dono, ausência de governança e sucessão, e a ilusão de que vender uma empresa é um processo rápido. Em muitos casos, processos de venda que pareciam simples se arrastaram por até dois anos. Outro erro recorrente é acreditar que, se não houver intenção imediata de venda, não há necessidade de organizar o negócio. Nada mais distante da realidade: empresas bem estruturadas são sempre mais sólidas, rentáveis e saudáveis, estejam ou não à venda.
Organizar o negócio não é luxo, é sobrevivência. E estar preparado significa ter um plano estratégico claro, que mostre o caminho do ponto A ao ponto B; uma governança bem definida, com regras de decisão e conselhos ativos; gestão com disciplina, apoiada em metas e indicadores; e uma estrutura de capital capaz de financiar crescimento ou atrair investidores. Essas necessidades são universais e, na maioria das vezes, difíceis de serem atendidas sem apoio externo.
E aqui cabe uma reflexão importante: escolher bem quem estará ao seu lado nessa jornada. Dois pontos são cruciais. O primeiro é buscar um mentor, conselheiro ou uma consultoria empresarial formada por empreendedores, pessoas que já vivenciaram a magia e os desafios de empreender na prática. Só quem já esteve do outro lado entende de fato as dores do dono. O segundo é priorizar profissionais ou empresas com bagagem no setor em que você atua, porque o conhecimento específico faz toda a diferença para propor soluções realmente aplicáveis.
Foi justamente por acreditar nesses princípios que, em 2025, me tornei sócio da Auddas, uma consultoria empresarial especializada em estratégia, governança, gestão e capital. Aqui, trabalhamos lado a lado com empresários e executivos em diferentes setores e portes, sempre em uma relação “de dono para dono”, ajudando empresas a se estruturarem em todas as fases da sua jornada.
Quando falamos em futuro do setor de segurança, é natural pensar em tecnologia – integração, IoT, inteligência artificial. Mas nenhuma dessas inovações se sustenta em uma empresa sem gestão sólida. A tecnologia pode ser o motor, mas é a gestão que mantém o carro na pista. Empresas que desejam capturar o verdadeiro valor do mercado precisam equilibrar as duas coisas.
E deixo aqui uma provocação final: sua empresa está realmente cuidando da estratégia do negócio ou está deixando que ela seja devorada, todo dia, no café da manhã?
Alexandre Chaves
Sócio da Auddas, consultoria empresarial especializada em estratégia, governança, gestão e capital. Empreendedor do setor de tecnologia e segurança desde 1996, é investidor, conselheiro e mentor de empresas em crescimento. Há 12 anos atua também como diretor do Departamento de Defesa e Segurança da FIESP, contribuindo para o fortalecimento e desenvolvimento estratégico do setor no Brasil.

