Como os torcedores estão sendo vigiados na Copa 2026

Contexto dos Estados Unidos transforma evento em maior episódio de vigilância à céu aberto dos últimos tempos


Não é só os jogadores que estão recebendo tecnologia de ponta nesta Copa do Mundo; os torcedores também estão sendo vigiado pelo maior esquema de reconhecimento facial à céu aberto como nunca visto.

O evento, com expectativa de cinco milhões de participantes em 16 estádios entre México, Canadá e Estados Unidos, deveria ser marcado como a maior celebração do futebol mundial. Porém, também será marcado pela maior estrutura de vigilância a nível militar aplicada para um público geral.

Os motivos por trás da vigilância ostensiva

Especialistas ouvidos pela revista Wired afirmam que um dos pretextos para a vigilância acentuada durante a Copa é a guerra no Irã. Para o governo Trump, o contexto é suficiente para escalar o uso de tecnologias de monitoramento invasivo.

Outro aspecto que agrava a varredura biométrica é o papel do órgão imigratório dos Estados Unidos, o ICE, acusado de deter imigrantes em contextos arbitrários. A instituição conta com tecnologias de inteligência artificial e coleta de dados ostensiva, e pode ser usada para prender torcedores.

Segundo a Reuters, a Human Rights Watch pediu a FIFA que pressione o governo dos Estados Unidos a “dar uma trégua” com o ICE, evitando infrações humanitárias.

Quais tecnologias estarão presentes na Copa 2026?

Durante a Copa 2026, estádios como os de Boston, Miami e Atlanta usam scanners de reconhecimento facial na entrada dos jogos. Em outros estádios dos EUA e também no México, cães robóticos com câmeras também patrulharam os ambientes. No Canadá, a vigilância biométrica ocorre através de uma nova rede de 200 aparelhos de filmagem, mais câmeras corporais em policiais.

Os Estados Unidos também anunciaram parcerias com empresas de tecnologia de drones, com o Departamento de Segurança Nacional fechando acordos multimilionários para usar aeronaves não tripuladas na vigilância do perímetro dos jogos. Outras parcerias envolvem a Axon, que forneceu equipamentos de interferência contra drones domésticos, possivelmente adaptados para ataques.

No Brasil, reconhecimento facial é rotina

Embora as rotinas de reconhecimento facial durante a Copa 2026 envolvam um contexto delicado, no Brasil, ser vigiado nos estádios é quase uma rotina. Desde o ano passado, a Lei Geral do Esporte tornou a biometria obrigatória em estádios com capacidade para mais de 20 mil pessoas.

No entanto, ao contrário do Brasil, uma das maiores preocupações é o que será feito destes dados, já que nos Estados Unidos, o armazenamento e tratamento é definido por leis estatais.

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