A ficção vai virar realidade no setor de segurança

Por Marco Antônio Barbosa, especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil


Imagine acessar um prédio empresarial com o reconhecimento facial e ser liberado somente para a sala correta, sem acesso ao restante da edificação e acompanhado por câmeras que conhecem todo o seu histórico policial. Em um primeiro momento, isso pode parecer um filme de ficção futurista, mas essa cena pode passar a se tornar comum muito antes do que imaginávamos.

A evolução do mercado de controle e gestão de acesso nos últimos anos está cada vez mais rápida e é impulsionada por um faturamento anual de R$ 14 bilhões, segundo dados Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese). Essa força econômica, aliada à popularização da inteligência artificial, deve trazer um salto para tecnologias mais integradas e que conectam um ambiente inteiro em milésimos de segundo.

Atualmente, muitas cidades possuem sistemas de câmeras integrados com bancos de dados criminais e podem identificar um foragido em segundos, mesmo que ele esteja disfarçado. Estádios já conseguem barrar a entrada de torcedores que cometeram alguma infração apenas com o reconhecimento facial integrado ao dispositivo das catracas. Esse é um início da revolução que a IA trará para os próximos anos.

As grandes empresas do setor de segurança eletrônica estão apostando cada vez mais em sistemas que possam gerir de forma integrada todas as tecnologias de proteção que um local possa contar, como cancelas, portões e portas automáticas. A tendência é a de que os softwares por de trás dos hardwares se tornem cada vez mais sofisticados, personalizados e inteligentes. E, com a IA, o céu é o limite.

Muitos outros ambientes, públicos ou privados, devem passar a ter integração com banco de dados de polícias estaduais e federais, diminuindo assim o grau de vulnerabilidade destes espaços. Mas esse é só o começo.

Um software poderá receber um cadastro e liberar a entrada desde a cancela do estacionamento até a sala onde acontecerá a única reunião que essa pessoa irá participar. Ela poderá passar pela catraca, pelo elevador e pelas portas corretas sem ter acesso a outros andares ou até mesmo a outras salas. Tudo acompanhado de perto pelo sistema de câmeras. Qualquer tentativa de desvio de rota não será possível. Nem decidir pelo trajeto usando as escadas este indivíduo poderá se esse não for o caminho definido pela IA.

Mas esse nível de segurança tem um preço: a nossa privacidade. Os nossos dados estarão disponíveis e deverão munir sistemas inteligentes capazes de, a cada acesso nosso a um prédio, por exemplo, capturar essas novas informações e dividir com bancos em nuvens, que poderão ser acessados por tecnologias no mundo inteiro. Seremos vigiados 24 horas por dia sem direito ao anonimato.

Com pontos positivos e negativos, a IA deve transformar o setor de segurança nos próximos anos e nos transportar para cenas que parecerão terem sido extraídas de um filme, mas que deverão se tornar mesmo a nossa nova realidade.

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