Por José Guilherme Machado, diretor de vendas para o Brasil da Johnson Controls Security
O mercado de data centers se prepara para uma grande expansão no Brasil, impulsionada pela crescente demanda gerada pela digitalização dos negócios, pela migração para a nuvem e, mais recentemente, pelo avanço da inteligência artificial. Com a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), big techs voltam sua atenção para o país, e o potencial de investimentos pode chegar a US$ 100 bilhões até 2029, segundo estimativa da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).
Nesse cenário, a segurança eletrônica passa a ocupar um papel estratégico para garantir a continuidade das operações, a conformidade regulatória e a competitividade dos grandes centros de dados nos próximos anos. Essa abordagem reflete a maturidade do mercado, que passa a tratar a segurança com o mesmo nível de exigência aplicado a energia, refrigeração e conectividade.
Uma das mudanças mais relevantes que se espera no setor a partir de 2026 será a consolidação da convergência entre segurança física e cibernética. Se antes as ameaças estavam associadas principalmente ao acesso físico não autorizado, hoje os riscos digitais ganham protagonismo. Casos de invasões realizadas por meio de câmeras, estações de trabalho ou outros dispositivos conectados à rede demonstraram que equipamentos de segurança também podem se tornar vetores de ciberataques.
Diante desse quadro, fabricantes e operadores priorizarão cada vez mais o desenvolvimento de soluções com cibersegurança embarcada desde a ponta, protegendo câmeras, controladoras e sistemas de gestão contra acessos indevidos. Não basta controlar quem entra fisicamente no data center; é preciso garantir que a própria infraestrutura do ambiente não represente uma porta de entrada para ameaças digitais.
A autenticação multifator também se tornará padrão no controle de acesso em áreas críticas. O uso combinado de credenciais, biometria e outros fatores de autenticação está diretamente ligado às exigências de certificação e aos padrões internacionais de segurança, fundamentais para data centers de colocation e hyperscale, que precisam apresentar altos níveis de proteção para atrair grandes players globais.
Inteligência artificial e analíticos avançados ganharão relevância ainda maior daqui em diante. Câmeras com IA embarcada e softwares capazes de analisar grandes volumes de dados em tempo real ampliam significativamente a eficiência operacional dos sistemas de segurança dos data centers. Analíticos de vídeo avançados — como detecção de objetos abandonados, eventos fora do padrão e automação de alarmes — reduzem a dependência do operador humano e minimizam falhas operacionais. Além disso, sistemas baseados em IA passam a aprender padrões de comportamento, reduzindo alarmes falsos e entregando informações mais relevantes por meio de dashboards inteligentes.
Em um setor em que o consumo intensivo de energia pode gerar grande impacto ambiental, a sustentabilidade também entra no radar da segurança eletrônica. Tecnologias de compressão avançada de imagens possibilitam reduzir significativamente o volume de dados armazenados, otimizando o uso de servidores e, consequentemente, o consumo energético. Essa otimização pode contribuir para estratégias mais amplas de eficiência energética — um fator cada vez mais valorizado por operadores, investidores e clientes finais.
Com potencial para se tornar um dos principais pólos de data centers no mundo, seja em operações de colocation, ambientes corporativos próprios ou hyperscales voltados à inteligência artificial, o Brasil eleva o patamar de exigência para se adequar aos padrões internacionais de segurança. Neste e nos próximos anos, o mercado demandará sistemas cada vez mais inteligentes, integrados, resilientes e estratégicos. Esse movimento reforça a importância do investimento contínuo em inovação, combinando segurança física, cibersegurança e inteligência de dados para atender a um mercado que não pode flertar com falhas.

