Principal impacto aponta para aumento na presença de mulheres e crianças nas partidas
Desde 14 de junho de 2025, estádios de futebol com capacidade superior a 20 mil lugares passaram a ser obrigados, por lei, a adotar sistemas de reconhecimento facial como controle de acesso. Nove meses depois, os dados revelam um impacto que vai além da logística: os estádios brasileiros estão se tornando um espaço mais seguro e esse fator está mudando quem vai às partidas.
O indicador que mais chama atenção no período é o aumento expressivo da presença de mulheres e crianças nos estádios. Levantamento da Bepass, empresa especializada em reconhecimento facial para grandes eventos, aponta que, entre os clubes atendidos — Botafogo, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Santos —, o percentual médio de público feminino saltou de 17,5%, em 2023, antes do uso da biometria, para 23,1%, em 2025, um crescimento de 32%. No mesmo período, a presença de menores de 14 anos cresceu 26%, passando de 6% para 7,6%.
“Ver o crescimento do público feminino e de crianças nos estádios é o dado que mais nos orgulha nesse período. Ele mostra que segurança não é só uma questão operacional é o que permite que mais pessoas se sintam à vontade para viver o futebol”, afirma Fernando Melchert, diretor de Tecnologia e sócio da Bepass.
Tecnologia que já é realidade em toda a Série A
Mesmo com prazo legal até junho de 2027 para regularização, todos os 20 clubes da Série A já adotaram o sistema. Somente a Bepass realizou mais de 160 partidas desde que a legislação entrou em vigor, consolidando o reconhecimento facial como solução eficaz para a gestão de acesso em grandes eventos.
A tecnologia também reduziu drasticamente o cambismo e a falsificação de ingressos. Como o acesso é pessoal e vinculado à biometria, apenas o titular cadastrado pode entrar, eliminando intermediários e fraudes. O efeito colateral positivo foi direto nos programas de sócio-torcedor. “O número de sócios aumentou porque, com o fim dos cambistas, os torcedores precisam estar cadastrados no programa para comprar ingressos”, afirma Cadar.
Privacidade garantida
No quesito privacidade, a Bepass não armazena imagens dos torcedores, apenas um vetor criptografado derivado do rosto. Mesmo em caso de vazamento, é impossível reconstituir a imagem original, o que garante conformidade com a LGPD e reforça a confiança no sistema.

