Infraestrutura, IA e eficiência: o tripé que redesenha o mercado de segurança eletrônica

Por Bruno Bordignon, coordenador de pré-vendas da VIGI by TP-Link, marca B2B do sistema de vigilância corporativa inteligente.


O cenário da segurança patrimonial no Brasil está passando por uma transformação profunda. Impulsionado pelo avanço da criminalidade e pela necessidade de proteção, o mercado de segurança eletrônica, que movimentou mais de R$ 14 bilhões em 2024 e deve crescer cerca de 23,78% neste ano, segundo a ABESE (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), encontra na Inteligência Artificial (IA) seu principal motor de expansão. 

Essa evolução marca a passagem do modelo tradicional e passivo de vigilância para a chamada “segurança inteligente”, um ecossistema que integra vídeo IP (Internet Protocol), IA, nuvem e capacidade de resposta em tempo real.

O impacto econômico dessa mudança é substancial. A adoção de recursos de IA e automação pode levar a uma redução de até 70% nos custos de vigilância, conforme citado pela ABESE. Essa economia advém de um conjunto de fatores: operadores conseguem supervisionar múltiplos locais simultaneamente, otimizando o efetivo necessário. A mitigação de deslocamentos desnecessários causados por alarmes falsos também contribui significativamente para a economia no sistema operacional. O ganho real em uma operação moderna reside na sinergia entre menos falsos positivos, menos deslocamentos e, consequentemente, menor custo operacional total.

O grande diferencial do monitoramento moderno é sua capacidade analítica. Sistemas tradicionais frequentemente eram inundados por falsos positivos, exigindo tempo excessivo dos operadores na revisão de imagens. No novo modelo, a IA atua como um filtro eficiente, diferenciando elementos realmente relevantes, que são as pessoas ou veículos, de ruídos visuais irrelevantes, como sombras, vegetação em movimento, variações de luz, chuvas intensas ou animais. 

Essa filtragem, especialmente em aplicações externas, é essencial para evitar alarmes desnecessários e reduzir drasticamente o deslocamento indevido de equipes. Em ambientes internos, o ganho reside na melhoria da assertividade, liberando operadores para focarem em ameaças reais.

A precisão dos novos analíticos permite a detecção de incidentes que seriam negligenciados por um sistema convencional. É possível, por exemplo, definir ações específicas como o cruzamento de linhas em áreas restritas, criando “cercas virtuais” eficazes. Outros recursos incluem a análise de abandono ou retirada de objetos, úteis para o controle de estoque ou identificação de materiais esquecidos. 

É importante notar que uma parte significativa do ganho real da IA não depende de identificação nominal ou biometria, mas sim da diferenciação precisa entre pessoas e veículos e dos filtros que evitam alarmes falsos. Embora haja expectativas exageradas sobre o uso de câmeras de videomonitoramento para análises comportamentais complexas ou controle de acesso total, funções que requerem softwares e equipamentos específicos, a aplicação da IA em filtros e tracking inteligente já entrega alto valor prático.

Mas, para que analíticos avançados performem com excelência, é essencial a existência de uma infraestrutura de rede robusta. A segurança inteligente exige rede estável, baixa latência e capacidade real de trafegar grandes volumes de vídeo e metadados sem perda. Uma arquitetura de rede bem planejada, que inclua switches, Wi-Fi e segmentação adequadas, é primordial para evitar gargalos que possam comprometer a detecção, gravação e, principalmente, a resposta em tempo real a incidentes.

Apesar dos benefícios evidentes, a migração para modelos preditivos baseados em IA apresenta desafios. Muitas empresas ainda apresentam uma infraestrutura analógica, o que limita a capacidade de análises em tempo real. A falta de padronização entre diferentes sistemas e dispositivos também dificulta a integração e a gestão centralizada. Adicionalmente, o investimento em conhecimento e atualização técnica das equipes deve ser encarado como uma evolução estratégica, e não apenas uma simples troca de hardware, principalmente em setores-chave do mercado privado, no qual há necessidade de um controle eficaz de pessoas e veículos, tais como indústrias, condomínios, agronegócio – com foco em cercamento eletrônico e monitoramento perimetral, e varejo, abrangendo supermercados e shopping centers. 

O movimento é claro: a segurança inteligente não é apenas uma melhoria tecnológica, mas uma reengenharia operacional que transforma vigilância passiva em gestão preditiva, permitindo que empresas e operadores se concentrem no que realmente importa. É a diferença entre ter um vasto mar de dados sem sentido e possuir uma bússola que indica com precisão onde está a tempestade.

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