Eles faturam milhões com câmeras nas ruas e quem usa nem sempre é cliente

Em dezembro de 2025, pesquisa Datafolha revelou que a segurança pública preocupa mais os brasileiros do que a economia, tema que liderava levantamentos anteriores. Para 16% da população, a violência é hoje o problema mais grave do país, atrás apenas da saúde, mencionada por 20% dos entrevistados.

A CoSecurity, do Grupo Haganá, é uma empresa de tecnologia voltada à segurança urbana que conecta câmeras de vigilância instaladas em condomínios residenciais, comerciais e corporativos em uma única rede.

Criada em 2022, a startup nasceu da parceria entre Chen Gilad e Luciano Caruso. Os dois se conheceram em 2018, quando Caruso assumiu a direção da Haganá Tecnologia.

Na época, ele levou para a companhia um conceito observado em universidades americanas, mas que precisaria ser adaptado à realidade brasileira.

“Não só o produto, mas a forma de levá-lo ao mercado, de se comunicar e de escalar a operação”, resume Chen, israelense que chegou ao Brasil aos 12 anos.

Engenheiro civil e empreendedor, Chen tem 48 anos. Caruso, 49, é paulista, formado em desenho industrial, e soma mais de três décadas no setor de segurança.

As competências dos dois levaram a solução às ruas e posicionaram a empresa como pioneira no conceito de segurança colaborativa no país.

Segurança pensada para a rua

A atuação da CoSecurity rompe com a lógica tradicional do setor. Em vez de concentrar sistemas de vigilância no interior de condomínios, lojas ou empresas, a companhia direciona seus equipamentos para vias públicas.

Cada totem reúne três câmeras de vigilância, capazes de cobrir 180 graus da via. À medida que novos pontos são instalados, forma-se um circuito contínuo de monitoramento.

Visualmente, a torre também faz diferença, explica Caruso. Segundo ele, totens padronizados ao longo de uma rua indicam que a região está organizada e monitorada de forma conjunta.

“A sensação de segurança é percebida por quem circula ali e também por quem pensa em cometer um crime”, afirma.

Toda a rede está conectada à Central de Providências, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. A central recebe imagens de diferentes pontos e consegue acompanhar, por exemplo, o deslocamento de um suspeito após uma ocorrência.

Esse cruzamento de registros aumenta a capacidade de rastreamento e gera provas que fortalecem investigações e contribuem para a responsabilização dos envolvidos, explicam os fundadores.

Atualmente, a malha está presente na capital paulista, na Grande São Paulo, em Curitiba e no Rio de Janeiro, somando mais de 10 mil câmeras integradas. O sistema também se conecta a iniciativas públicas como o Smart Sampa e a Muralha Paulista.

Uso que vai além da criminalidade

Roubos e furtos são ocorrências comuns, mas o alcance do serviço da CoSecurity é mais amplo. A Central de Providências já auxiliou em casos de acidentes de trânsito, identificação de problemas urbanos como buracos nas vias, busca por pessoas desaparecidas, localização de pets perdidos e até recuperação de objetos e dinheiro perdido.

Um dado destacado pelos executivos é que cerca de 90% dos chamados não partem de quem contratou o totem. Isso porque qualquer pessoa que passe pelo local pode acionar o sistema por meio de um QR Code instalado no equipamento, mesmo sem ser cliente.

“Quem contrata acaba contribuindo não só com a própria segurança, mas com a da cidade”, pontua Chen.

Eles dizem, ainda, que a decisão de adesão dificilmente está ligada a um episódio específico vivido por um condomínio ou comércio. Na maioria dos casos, surge da percepção de que a violência é um problema coletivo e exige soluções compartilhadas.

Fonte: Exame

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