Bem-vindo à era da identidade centrada no indivíduo

Por Marcelo Annarumma

A primeira metade do ano teve movimentação interessante no sentido de o Brasil dar seus primeiros passos a caminho de uma identidade digital de nossos milhões de cidadãos. Recebemos com entusiasmo a mobilização do governo federal no sentido de viabilizar a criação do Documento Nacional de Identidade, o DNI.

Trata-se de um primeiro passo importante, no mesmo sentido de países que já aplicam esse tipo de solução. Tomemos como exemplos Índia, Botsuana, Nepal e Nigéria. Apesar de cada um possuir suas peculiaridades, considerando as divergências de cultura, história, povos e tantos outros detalhes, todos desenvolveram estratégias com um ponto em comum: são o que chamamos de projetos de identidade centrada no cidadão.

O que, na prática, significa isso? Muito! Representa uma mudança cultural, na qual deixamos de centralizar o papel da identificação em um sem-número de agências e órgãos públicos, cada um com seu próprio banco de dados, para posicionar o cidadão e suas informações mais pessoais – sua digital, sua face, sua íris – no centro da estratégia dos projetos de identidade.

Trocamos uma infinidade de bancos de dados governamentais, alimentados por bases de informação individualizadas e em múltiplos documentos como carteiras de identidade, habilitação, passaportes e cartões de seguro saúde nacionais pelo que chamamos tecnicamente de interoperabilidade. Por trás dessa palavra complexa, temos um conceito simples: uma única plataforma biométrica será responsável por fornecer todos os dados de um cidadão, sem necessidade de múltiplas atualizações e sem risco de multiplicidade de dados.

Multiplicidade essa que representa o principal desafio atual, tanto para governos quanto para cidadãos. A falta de consistência dessas informações representa um risco enorme para os dois lados: tanto para o indivíduo que deseja receber sua seguridade social, quanto para o Estado que precisa emití-la, sem deixar margem para fraudes.

Em 2017, por exemplo, Botsuana criou uma plataforma única e multibiométrica para diversos departamentos governamentais em um projeto iniciado com as informações fornecidas pelo cadastro de identidades do Serviço de Polícia local. No mesmo ano, a Nigéria aprimorou seu sistema automático de identificação biométrica com o objetivo de harmonizar em uma única plataforma todas as bases de dados de agências federais. No ano passado, foi a vez do Nepal lançar um smart card de modo a viabilizar acesso aos serviços públicos, assim como autorizar a concessão de benefícios da seguridade social.

No entanto, o caso mais relevante ao abordarmos o assunto é o da Índia. Por meio do projeto Aadhaar, cuja implementação começou em 2010, o governo local efetuou o cadastramento biométrico de 1,2 bilhão de cidadãos, viabilizando acesso a uma vasta gama de serviços públicos e privados, desde verificação de identidade para liberação de subsídios governamentais até transações em caixas eletrônicos.

As diferenças dos projetos mencionados são menos importantes. O que, de fato, é motivo para elogios é a busca por uma inteligência centrada no cidadão, que gere benefícios claros para todos os envolvidos: o Estado dará mais um passo importante no sentido de evitar fraudes e perdas de verbas públicas e o cidadão terá uma experiência positiva e integrada ao lidar com sistemas e iniciativas do serviço público e, talvez no futuro, integrada ao setor privado também.

Marcelo Annarumma, presidente da IDEMIA para América Latina.

Notícias Relacionadas

Destaque

Polícia de São Paulo adotará reconhecimento facial em investigações

A tecnologia de reconhecimento facial será usada por mais um órgão público. Segundo o Mobile Time, a Polícia Civil de…

Segurança Eletrônica

TS Shara lança linha de nobreaks para proteção de aplicações críticas de TI

A TS Shara, fabricante nacional de nobreaks e estabilizadores de tensão, anuncia o lançamento da linha de nobreaks, o UPS…

Destaque

Nova ferramenta potencializa a qualidade das instalações dos sistemas de vídeo

Dispor de uma visão global das melhores práticas para a instalação e implantação de soluções de vídeo confiáveis e escaláveis…