Por José Lopez, diretor sênior de Canais da Motorola Solutions para o Brasil e Cone Sul da América Latina
Investir em segurança física envolve escolher como a empresa pretende proteger seus colaboradores e suas instalações e administrar os recursos destinados a essa proteção nos próximos anos. A nuvem amplia as opções para esse planejamento, com possibilidades de aproveitar câmeras existentes e elimina a necessidade de servidores locais. Para avaliar o que isso representa no orçamento, a comparação entre soluções locais e em nuvem precisa considerar como cada solução será mantida ao longo do tempo.
Sistemas de segurança permanecem em operação por anos. Nesse período, servidores consomem energia, ocupam espaço, exigem refrigeração, manutenção, atualizações e, eventualmente, substituição. Há ainda infraestrutura de redes, softwares, equipamentos auxiliares e profissionais dedicados à administração desse ambiente.
Reunir essas despesas no custo total de propriedade (TCO) ajuda a entender como o investimento se distribui entre contratação e operação. Em um horizonte de cinco anos, essa análise permite comparar a nuvem com uma estrutura local a partir das mesmas necessidades de proteção, considerando os serviços e recursos necessários para manter o sistema disponível, atualizado e protegido contra ameaças cibernéticas.
Em um sistema de vídeo local, a avaliação deve reunir equipamentos, licenças de software e garantias que cubram todo o período considerado. Se a garantia de um servidor for de três anos, por exemplo, é preciso incluir sua extensão para completar os cinco anos da análise. Também entram nessa conta a manutenção, as correções de falhas e de segurança e as novas versões do software, que podem acrescentar funcionalidades e prolongar a vida tecnológica do sistema. O espaço ocupado pela infraestrutura, a energia para os servidores e a refrigeração e o tempo da equipe responsável por manter o ambiente disponível e protegido completam essa avaliação.
No modelo em nuvem, a comparação deve incluir os equipamentos necessários e a assinatura do software ao longo dos mesmos cinco anos. É preciso verificar quais serviços estão incluídos nessa contratação, como atualizações, suporte e manutenção, e quais permanecem sob responsabilidade da empresa. Essa distinção permite entender o que a assinatura cobre e quais despesas precisam ser previstas separadamente.
O consumo de energia ilustra como fazer essa avaliação. Para calcular a despesa com um servidor, é necessário considerar sua potência, as horas de funcionamento e a tarifa utilizada na projeção, além da refrigeração necessária. Esse cuidado deve se estender à manutenção e à administração dos equipamentos. Ao projetar esses valores para o período analisado, fica mais claro o que a menor dependência de infraestrutura local pode representar para o orçamento.
O resultado também depende de como a empresa opera. Em redes de lojas, agências ou escritórios, a nuvem pode reduzir a necessidade de instalar e manter servidores em cada endereço, o que deve ser considerado no planejamento da expansão. Já locais com grande concentração de câmeras podem demandar uma estrutura local ou híbrida. O modelo híbrido permite combinar infraestrutura local nas instalações maiores com soluções em nuvem nas unidades menores, conforme as necessidades de cada ambiente. Dessa forma, a empresa pode incorporar a nuvem ao planejamento sem precisar adotar uma única arquitetura para toda a operação.
Outro ponto é o aproveitamento dos equipamentos existentes. Antes de prever a substituição das câmeras, vale verificar sua compatibilidade com a solução em nuvem e sua capacidade de atender ao projeto. Muitas câmeras IP permitem essa integração, o que pode ajudar a preservar grande parte do investimento anterior e concentrar as novas contratações nos recursos que precisam ser incorporados. Isso abre caminho para levar os sistemas de vídeo à nuvem sem condicionar a modernização à troca de todo o parque instalado de câmeras.
Conectividade e proteção cibernética completam essa análise, pois influenciam tanto o funcionamento dos sistemas quanto os recursos necessários para mantê-los. As propostas devem esclarecer a conexão exigida, o funcionamento previsto em caso de interrupção do acesso à internet e as responsabilidades pela proteção e atualização do ambiente. Assim, a comparação considera o que cada proposta efetivamente entrega para atender às mesmas necessidades.
Consultores e líderes que compreendem a composição desses custos têm melhores condições de recomendar investimentos que fortaleçam a proteção e simplifiquem a operação. Esse preparo permite avaliar a nuvem pelo que ela pode oferecer ao negócio ao longo dos anos, com decisões que aproveitem os recursos existentes e apoiem os planos de expansão. A qualidade dessa análise é decisiva para transformar a modernização da segurança das pessoas e do patrimônio em um investimento alinhado à estratégia da empresa.

