A indústria da segurança vive uma transformação sem precedentes. O que durante anos esteve focado principalmente na proteção de ativos hoje evolui para um modelo em que a inteligência artificial, a análise de dados e a identidade digital permitem que as organizações obtenham informações estratégicas para otimizar processos, fortalecer a tomada de decisões e responder com mais rapidez aos desafios operacionais. Ao mesmo tempo, a conformidade com os padrões da indústria e as regulamentações de privacidade tornou-se um fator essencial para garantir um uso seguro e responsável dos dados.
Nesse contexto, a Feira Internacional de Segurança ESS+ 2026 da Colômbia foi o palco onde empresas líderes como HID, Milestone Systems e Hanwha Vision apresentaram as inovações que definirão os rumos do setor na América Latina. Embora cada uma atue em áreas distintas do ecossistema de segurança, todas compartilham uma visão comum: transformar a tecnologia em uma fonte de inteligência capaz de gerar valor além da proteção tradicional.
A identidade biométrica torna-se acessível para mais organizações
Para a HID, a identidade digital está transformando a forma como as pessoas acessam esses espaços.
A autenticação biométrica, as credenciais móveis e os novos mecanismos de verificação estão mudando o conceito tradicional de controle de acesso. No entanto, essa transformação não implica a substituição imediata das tecnologias existentes, mas sim uma evolução para modelos híbridos nos quais diferentes métodos de autenticação convivem para atender a diferentes níveis de risco e necessidades operacionais.
Ao mesmo tempo, a expansão da biometria trouxe à tona um tema igualmente relevante: a privacidade e a proteção dos dados pessoais. A confiança nessas tecnologias dependerá não apenas de sua precisão, mas também de sua capacidade de garantir um tratamento responsável das informações biométricas e oferecer às organizações maior controle sobre seus dados.
Como consequência, a identidade consolida-se como um dos pilares da segurança moderna. Mais do que verificar quem pode entrar em um edifício, as organizações buscam construir modelos de acesso mais seguros, flexíveis e adaptáveis, integrando credenciais físicas, móveis e biométricas em uma mesma estratégia de identidade confiável.
Nesse cenário, a HID participou da ESS+ 2026 para apresentar seu leitor de reconhecimento facial Amico™, que, diferentemente das soluções biométricas tradicionais — normalmente reservadas para instalações de alta segurança — permite incorporar reconhecimento facial em escritórios corporativos, campi bancários, centros de dados, aeroportos e universidades, aproveitando a infraestrutura existente de controle de acesso.

O vídeo já não apenas registra o que acontece: agora ajuda a compreendê-lo
Durante anos, as câmeras de videomonitoramento tiveram como principal objetivo registrar evidências para revisar o que havia acontecido após um incidente. Hoje, graças à inteligência artificial, o vídeo começa a desempenhar um papel cada vez mais ativo nas organizações.
De acordo com a Milestone Systems, a evolução do mercado aponta para sistemas capazes de interpretar grandes volumes de informação em tempo real, identificar padrões, automatizar processos e gerar conhecimento que contribua tanto para a segurança quanto para a operação do negócio.
Sob essa perspectiva, o verdadeiro valor do vídeo já não está apenas em capturar imagens, mas em transformá-las em informações que facilitem decisões mais rápidas e mais bem fundamentadas. Essa mudança está impulsionando aplicações que vão além da proteção tradicional e alcançam áreas como logística, manufatura, comércio, transporte e gestão de infraestrutura.
Assim, a crescente demanda por soluções baseadas em inteligência artificial demonstra que as organizações buscam ferramentas que proporcionem eficiência operacional além da proteção — uma tendência que continuará acelerando nos próximos anos.
Durante o evento, a Milestone Systems apresentou a evolução de sua plataforma de gerenciamento de vídeo XProtect®, juntamente com as capacidades analíticas do BriefCam®, soluções que combinam inteligência artificial, análises avançadas e gerenciamento inteligente de vídeo para transformar grandes volumes de informação em dados acionáveis.

A interoperabilidade torna-se um requisito para a inovação
Para a Hanwha Vision, a evolução do videomonitoramento passa por deixar de considerar as câmeras apenas como dispositivos de monitoramento para transformá-las em ferramentas capazes de produzir informações úteis para a operação de qualquer organização.
A incorporação de novas tecnologias também traz um desafio importante: a capacidade de fazer com que múltiplos sistemas trabalhem de forma coordenada.
Durante muito tempo, muitas organizações construíram sua infraestrutura de segurança por meio de soluções independentes que dificultavam o compartilhamento de informações. Hoje, o mercado exige plataformas abertas que permitam integrar dispositivos, aplicações e tecnologias de diferentes fabricantes para construir ecossistemas flexíveis e preparados para evoluir.
Nesse contexto, a interoperabilidade deixa de ser uma característica técnica para tornar-se um elemento estratégico. A inteligência artificial gera mais valor quando consegue analisar informações provenientes de diferentes fontes, automatizar fluxos de trabalho e oferecer uma visão unificada da operação.
Essa abordagem também favorece a inovação. Arquiteturas abertas permitem incorporar novas capacidades analíticas, integrar desenvolvimentos especializados e adaptar a tecnologia às necessidades em constante mudança de cada organização, sem depender de plataformas fechadas ou da substituição completa da infraestrutura.
A segurança do futuro dependerá cada vez menos de soluções individuais e cada vez mais de ecossistemas tecnológicos capazes de evoluir continuamente junto com as necessidades do negócio.
Durante a ESS+ 2026, a empresa apresentou o BLAZE, sua nova plataforma de gerenciamento de vídeo, desenvolvida para integrar capacidades avançadas de inteligência artificial em uma arquitetura flexível e escalável. A solução busca simplificar a administração de múltiplos dispositivos e facilitar o aproveitamento de análises inteligentes em projetos de diferentes portes.
A ESS+ 2026 deixa claro que a segurança já não pode ser compreendida como um conjunto de soluções isoladas, mas como um ecossistema integrado, no qual inteligência artificial, identidade digital e plataformas abertas trabalham em conjunto para impulsionar a eficiência e a tomada de decisões. As inovações apresentadas durante a feira antecipam uma indústria cada vez mais conectada, capaz de responder aos desafios atuais e de adaptar-se rapidamente às necessidades do futuro.

