Vídeo analítico realmente funciona?

Muitas vezes fui abordado por clientes questionando o funcionamento e a aplicabilidade de vídeos analíticos em sistemas de CFTV, ouvi que esses recursos eram muito caro, que os comportamentos analisados não são aplicados ao mercado brasileiro e sim a locais onde existe terrorismo (objeto deixado em um local, por exemplo) ou simplesmente que não funcionavam (quase todos).

Também visitei algumas obras com sistemas instalados onde os recursos de vídeos analíticos não funcionavam perfeitamente, e sempre escutei de clientes, integradores ou consultores: “Isso não funciona!!!! Só funciona em filme!!”.

Mas será que o problema está na tecnologia empregada no vídeo analítico? Será que está nos produtos ofertados? Será que é coisa de filme?

Comecei a analisar e cheguei a conclusão que o responsável pelo não funcionamento não era tecnologia e sim as pessoas. Os vendedores não sabiam vender o recurso de vídeo análise e os clientes não sabiam comprá-los. Eles deveriam adquirir sistemas para atender necessidades, sanar problemas, objetivos já definidos, e não simplesmente produtos que possuem a mais nova tecnologia do mercado.

Como comprar uma solução se você não sabe qual é o problema? Esse é o principal motivo do não funcionamento do vídeo análise, a falta do claro objetivo para aplicação de uma regra.

Sim, o vídeo analítico é baseado em regras, em parâmetros definidos que irão simplesmente reagir em um determinada e especifica situação. E para o funcionamento dessas regras, devemos obedecer alguns requisitos mínimos (que variam de fabricantes):

– Objetivo a ser identificado e definição da regra a ser aplicada;
– Posicionamento da câmera;
– Tamanho do objeto (alvo) no campo de visão;
– Iluminação mínima;
– Obstrução da imagem;

Se o nosso objetivo for controle de perímetro através de vídeo analítico (pessoas cruzando uma linha ou movimentando em uma área), temos que aplicar os passos acima:

 

Na figura 1, além da obstrução da imagem pela árvore, não teríamos a mesma possibilidade de identificar uma pessoa se aproximando perpendicularmente a cerca.  Já na figura 2, temos uma visão clara de toda a cerca, com uma angulação da câmera que permite analisar e identificar a tentativa de invasão de uma pessoa (perpendicularmente).

Segundo ponto seria o campo de visão, o alvo a ser identificado deve ter entre 3 a 20% da imagem da câmera, isso significa que uma pessoa deverá ocupar essa região da imagem para ser identificada pelo vídeo analítico. Por exemplo na figura 2, ao final da cerca, uma pessoa com altura padrão deverá representar no mínimo 3% e no início da cerca até 20% da imagem, caso não seja atingido esses valores a câmera deve ser reposicionado ou deverá ser colocado mais câmeras, para tender esse requisito.

Ainda analisando essa aplicação, deve-se garantir uma iluminação constante em todo a cerca , em toda a imagem, se no local ela não for suficiente deverá ser utilizado iluminadores Infra vermelhos, ou refletores para permitir que principalmente no ponto mais distante a área esteja iluminada. Isso não é um filme, o objeto nunca será identificado no escuro.

Na maioria dos projetos, esse posicionamento de câmera, definição de regra, é feito posteriormente, depois que o sistema está vendido e instalado. Normalmente a escolha da posição da câmera é feito para atender uma necessidade do cliente e não atenderá o requisito do vídeo análise. Um caso muito comum é entrada de loja. O cliente já possui essa câmera posicionada para ver quem está entrando ou saindo (identificar rostos) e quando deseja aplicar contagem de pessoas, o posicionamento deverá ser outro (imagem abaixo), ou seja não sera possível efetuar contagem com essa mesma câmera. Para esse cliente o sistema não funcionará.

Outro ponto importante é o processo de aferição da regra a ser aplicada. É muito difícil determinar em quanto tempo o sistema estará pronto e em pleno funcionamento, devido a diversos parâmetros envolvidos, como velocidade das pessoas e veículos, comportamento das pessoas no local, ambiente (vegetação, obstruções, chuvas), além que algumas regras devem funcionar 24 horas, ou seja, necessário um ajuste durante o dia e um ajuste para período noturno. Um técnico pode configurar e finalizar um sistema em dez minutos, uma hora ou até um mês e ao final desse processo identificar que necessita reposicionar a câmera e iniciar o processo novamente.

Esse processo até atingir a taxa de acerto ou taxa de erro desejado, ou seja, o cliente determina que o sistema tenha uma assertividade de 90% das ocorrências ou permite uma taxa de erro de até 3% dos disparos (logicamente são apenas exemplos), atingindo esses pontos o sistema poderá ser finalizado e entregue.

A insatisfação, a desconfiança no produto, no profissional na empresa, ocorre quando esse processo não é passado ao cliente.

Assim, o ponto mais importante de todo o vídeo analítico é o objetivo. Defina-o, respeite todos os requisitos, informe todos os passos de implantação ao cliente e receberá todo o potencial da ferramenta.

Ahhh e a pergunta do início do texto? Funciona sim, e muito bem, não é coisa de filme.

 

Claudio Moraes

Claudio Moraes

Product Specialist - Anixter do Brasil Ltda.

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