Smart Sampa e Muralha BH: câmeras inteligentes com IA já ajudam a capturar milhares de foragidos no país

A segurança eletrônica tem avançado rapidamente no Brasil, impulsionada pela adoção de inteligência artificial e pelo aumento de projetos de monitoramento em larga escala. Esse movimento marca a transição de um modelo tradicional para uma abordagem mais sofisticada, capaz de antecipar riscos antes que eles se concretizem. Iniciativas como o programa Smart Sampa, o maior sistema de videomonitoramento da América Latina, que alcançou neste mês a marca de 3 mil foragidos da Justiça capturados desde o início de sua operação, em julho de 2024, consolidando-se como uma das principais ferramentas de apoio à segurança pública na capital.

No período, o programa já contribuiu para 7.410 prisões, quando somadas também as 4.410 prisões em flagrante. A rede, composta por cerca de 50 mil câmeras distribuídas em pontos estratégicos da cidade, já identificou criminosos de alta periculosidade, como homicidas, estupradores, membros de organizações criminosas e até integrantes da máfia chinesa, retirando esses indivíduos de circulação e contribuindo diretamente para a prevenção de novos crimes.

Na mesma direção, o programa Muralha BH prevê a instalação de mais de 12 mil câmeras até o fim de 2026, incluindo 8 mil equipamentos de vigilância, mais de 2 mil voltados à leitura de placas veiculares e 1,5 mil com tecnologia de reconhecimento facial, distribuídos em parques, escolas, vias públicas e centros de saúde. A expansão dessas iniciativas reforça uma tendência no setor, ocorrendo a migração de sistemas reativos para modelos preditivos, capazes de identificar padrões suspeitos, cruzar dados e gerar alertas em tempo real. 

Para Lucas Cinelli, CEO da Octos, plataforma SaaS de inteligência artificial em nuvem voltada para o setor de segurança eletrônica, essa transformação representa uma mudança estrutural na forma como a segurança é concebida e operada. “Estamos deixando para trás o modelo em que a tecnologia apenas registra o que já aconteceu. Hoje, conseguimos identificar padrões e agir antes que o crime se concretize, tornando a operação mais estratégica e menos reativa”, afirma.

Na prática, a segurança preditiva também responde a um dos principais desafios das centrais de monitoramento: o excesso de informações. Com milhares de eventos sendo gerados diariamente, a capacidade de filtrar o que realmente importa se torna crítica. Sistemas baseados em inteligência artificial permitem priorizar ocorrências relevantes, reduzir falsos positivos e direcionar a atuação humana para situações que exigem decisão.

Esse movimento, que começou em projetos urbanos de grande escala, já se expande para condomínios, indústrias, varejo e operações logísticas. A capacidade de antecipar riscos passa a ser não apenas um diferencial de segurança, mas também um elemento estratégico para eficiência operacional e gestão de recursos. Ao mesmo tempo, o avanço da segurança preditiva amplia o debate sobre privacidade, transparência e uso ético da tecnologia.

Em um cenário de monitoramento cada vez mais inteligente, garantir conformidade com a LGPD e manter o fator humano no centro das decisões torna-se fundamental para construir confiança e sustentabilidade no uso dessas soluções. Na avaliação de Lucas Cinelli, o futuro da segurança está diretamente ligado à capacidade de equilibrar inovação e responsabilidade. “A tecnologia evoluiu a ponto de permitir decisões em tempo real, mas isso exige governança, transparência e critérios claros. A segurança preditiva só se sustenta quando combina eficiência operacional com confiança no uso dos dados”, conclui.

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