Sistema Integrado de Segurança: uma ferramenta do Gestor de Segurança

A interconexão levada ao extremo, trazida pela globalização faz com que tudo o que ocorre num determinado local da terra acaba por afetar-nos de algum modo. É o efeito borboleta, elaborado primeiramente, pelo matemático americano Edward Lorenz em 1963.

Hoje temos alguns conceitos que demonstram a afirmação do filósofo de Éfeso, Heráclito, por volta de 520 a.C. para quem o mundo é um fluxo permanente em que nada permanece idêntico a si mesmo. É dele a afirmação de que “é impossível entrar no mesmo rio duas vezes”. As águas já são outras e nós já não somos os mesmos.

Um desses conceitos é de Zygmunt Bauman, sociólogo, que escreveu no livro A Cultura no Mundo Líquido Moderno (2011) que a pós-modernidade trouxe com ela a fluidez do líquido, ignorando divisões e barreiras, assumindo formas, ocupando espaços, diluindo certezas, crenças e práticas.

O professor Dr. Antonio Celso Ribeiro Brasiliano, em seu livro Inteligência em Risco (2016) descreve o fenômeno VUCA, uma sigla utilizada para descrever a volatilidade (volatility), a incerteza (uncertainty), a complexidade (complexity) e a ambiguidade (ambiguity) nos ambientes e situações de negócio. VUCA em inglês, VICA em português, oriunda do vocabulário militar americano, o uso comum do termo VUCA começou no final dos anos 1990.

Com isso, concluímos que o mundo, e a segurança em particular, segue uma dinâmica bastante complexa e de difícil identificação de movimentos futuros, mesmo trabalhando com cenários prospectivos, ainda assim, estaremos sujeitos aos “cisnes negros” de Nassim Nicholas Taleb (livro: A Lógica do Cisne Negro, 2007).

Diante deste cenário de incerteza, cabe aos gestores de segurança a árdua tarefa de agir preventivamente à criminalidade, mesmo diante do que já foi exposto.

Uma das ferramentas desses gestores é o Sistema Integrado de Segurança, o SIS.

Não é possível imaginar uma empresa competitiva atuando como era a algumas décadas, utilizando seus recursos (de todos os níveis) de maneira totalmente desintegrada.

A integração do sistema de segurança é uma exigência para que as metas sejam atingidas e haja uma aplicação inteligente dos recursos da empresa.

A nova integração do sistema de segurança passa por subsistemas que há alguns anos era totalmente dissociado, acarretando perdas financeiras e resultados duvidosos, sempre com uma visão de custo e não de investimento.

O Sistema Integrado de Segurança é composto por subsistemas que devem estar integrados a segurança, são eles: meios organizacionais, os meios técnicos (ativos e passivos), os recursos humanos e a Inteligência empresarial.

Os meios organizacionais são as políticas, as normas, procedimentos, planos de segurança, de emergência ou de contingência, enfim, é a parte documental que orienta as ações da segurança em todos os níveis, desde o nível estratégico, como por exemplo, a política de segurança, até o nível operacional que orienta as ações através dos procedimentos de cada posto de trabalho.

Os meios técnicos ativos são representados pelas tecnologias utilizadas na segurança, como por exemplo, o CFTV, os sensores, o controle de acesso, o monitoramento, etc. São os recursos tecnológicos utilizados pela segurança.

Os meios técnicos passivos são representados pelas proteções perimetrais, pelo layout, pela blindagem, resistência de portas e paredes, etc.

Os recursos humanos são as pessoas que atuam na segurança, sejam elas gestores, coordenadores, supervisores ou vigilantes, controladores de acesso, todos têm papel essencial dentro deste sistema. Neste caso, a qualificação, os treinamentos, o posicionamento, são as formas de avaliação deste subsistema. Além desses, os demais colaboradores
também participam das ações de segurança, seja por seguir procedimentos de segurança ou na contribuição de informações relevantes.

A Inteligência Empresarial é a responsável pela coleta, análise e disseminação de Inteligência para os tomadores de
decisão. Uma célula de Inteligência pode atuar em todos os níveis da organização, desde a estratégica até a operacional.

Em resumo: A Inteligência fornece as informações necessárias para a elaboração do planejamento e operações, de acordo com o nível do “decisor”. A tecnologia é sem dúvida o melhor acessório da segurança, dissuadindo, dificultando, detectando, alarmando.

Os meios organizacionais são aqueles que orientarão as decisões para situações críticas, é o que orienta a pessoa que deve agir diante de um alarme, por exemplo. Hoje os meios organizacionais estão disponíveis em formatos cada vez mais amigáveis e intuitivos (nos casos de software), facilitando o usuário e isso tem se tornado cada vez mais comum, tanto para gestão como para os níveis operacionais.

Porém, apesar de todo o avanço tecnológico que temos visto nos subsistemas citados, ainda é muito comum que os recursos humanos sejam deixados ao acaso, fazendo com que todo o sistema de segurança falhe.

Devemos lembrar que o ser humano é incontrolável, independente de toda a tecnologia, procedimentos e cenários, ele pode decidir de maneira equivocada, através do seu livre arbítrio e com isso quebrar o sistema de segurança. A eles, as pessoas, devemos investir de maneira sistemática na sua conscientização, sempre com o objetivo de melhorar a percepção dos riscos e ações antecipatória.

Para finalizar, deixo uma frase (adaptada) que demonstra a importância do treinamento dos colaboradores e atribuída ao ex-diretor e ex-reitor da faculdade de direito da Universidade de Harvard, Derek Bok: “Se você acha que a educação (treinamento) é cara, tenha a coragem de experimentar a ignorância”.

Cláudio dos Santos Moretti
Especialista em Segurança Empresarial (MBA) pela FECAP-SP, professor da FAPI/FESP/Brasiliano & Associados e diretor de Cursos e Certificação da ABSEG.

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