Sistema de reconhecimento facial da Casa Branca abre polêmica

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) revelou nos últimos dias um programa piloto com reconhecimento facial para vigiar áreas no entorno da Casa Branca. Enquanto a medida pode ser boa no que diz respeito a segurança do presidente, advogados norte-americanos apontam sobre os perigos da quebra de privacidade.

Segundo o DHS, o sistema terá a capacidade de diferenciar funcionários do Serviço Secreto na região de “pessoas comuns” via biometria. Serão duas câmeras preparadas para vigiar cidadãos que passam pelas ruas e gramado no entorno da edificação.

“A coleta de dados voluntários do sujeito ajudará o serviço secreto a testar a capacidade da tecnologia de reconhecimento facial para identificar indivíduos conhecidos e determinar se a tecnologia biométrica pode ser incorporada ao plano de segurança em constante evolução no complexo da Casa Branca”, afirmou o DHS.

Porém, para o analista de política da American Civil Liberties Union, Jay Stanley, a implementação do sistema de reconhecimento fácil é um “marco” — mas não de forma positiva. “A proteção física do presidente e da Casa Branca não é apenas um objetivo legítimo, mas vital para proteger a estabilidade de nossa república. Enquanto este programa piloto parece ser um teste relativamente estreito que não representa uma ameaça significativa à privacidade, ele cruza uma linha importante ao abrir a porta para o escrutínio em massa dos americanos nas calçadas públicas”.

Stanley levanta possíveis problemas que podem acabar acontecendo. Por exemplo, e se um cidadão comum, sem qualquer histórico de crime, for confundido com um “sujeito de interesse”? Com um terrorista? O que deverá acontecer.

Outro problema notado é que as pessoas no local dificilmente terão a ideia de que estão sendo analisadas e seus dados biométricos também sendo capturados pelo serviço norte-americano.

Segundo o DHS, os dados coletados de cidadãos serão armazenados em uma base dedicada ao programa piloto. Além disso, que ela não estará disponível para uso rotineiro do Serviço Secreto.

“O programa é outra luz vermelha piscando para os formuladores de políticas diante de poderosas tecnologias de vigilância que apresentarão enormes tentações de abuso e uso excessivo”, afirma o analista Stanley. “O Congresso deve exigir respostas sobre esse novo programa e os outros usos do governo para o reconhecimento facial. E deve interceder para interromper o uso dessa tecnologia, a menos que ela possa ser implantada sem comprometer as liberdades fundamentais”.

Fonte: Tecmundo

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