Gabinete de Segurança Institucional vai investir quase R$ 27 milhões na aquisição dos equipamentos
O governo do Estado do Rio de Janeiro vai adquirir 80 sistemas de neutralização de drones, conhecidos como antidrone ou C-UAS (Counter-Unmanned Aircraft Systems). O investimento, de quase R$ 27 milhões, será destinado a equipamentos que serão utilizados pela Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), Polícia Civil e Polícia Militar. De acordo com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI-RJ), o objetivo é combater a crescente utilização de drones em atividades criminosas, como vigilância ilegal, transporte de objetos proibidos para dentro de presídios, ameaças a autoridades e agentes de segurança e até mesmo o lançamento de artefatos explosivos.
Em estudo técnico preliminar, o governo do Estado argumentou como uma das justificativas para adquirir os equipamentos a crescente utilização de drones por criminosos. Segundo o documento, as facções criminosas do Rio já utilizam aeronaves não tripuladas para monitorar operações policiais em tempo real, além de transportar armas, drogas e celular e até mapear o movimento das forças de segurança.
“Esses dispositivos têm sido empregados para monitorar a movimentação de agentes públicos e transportar materiais ilícitos, como armas e drogas, em áreas sensíveis. Há o temor crescente de que esses drones sejam usados para lançar artefatos explosivos contra os Agentes de Segurança Pública (ASP) e seus veículos, expondo ainda mais os profissionais de segurança a graves riscos”, disse um trecho do documento.
No mês passado, um drone pilotado por criminosos do Comando Vermelho flagrou o momento em que um comboio de criminosos armados passa em frente a uma viatura da Polícia Militar, na comunidade do Catiri, na Zona Oeste do Rio.
O governo reforçou a necessidade de compra do equipamento ao citar que no G20, mesmo com medidas de exclusão do espaço aéreo, drones não autorizados foram observados em áreas restritas. Elas foram neutralizadas justamente por sistemas de C-UAS.
“Este sistema desempenhou um papel essencial, detectando e interrompendo a operação dos drones hostis, impedindo que eles se aproximassem de áreas sensíveis ou colocassem em risco a integridade de autoridades e participantes. Se tais sistemas não estivessem em operação, os drones poderiam ter sido usados para espionagem, transporte de cargas perigosas ou até ataques coordenados, resultando em graves consequências para o evento e sua segurança”, diz outro trecho.
O pregão eletrônico para adquirir os equipamentos está sendo realizado nesta segunda-feira, e a previsão é de finalizar todos os trâmites até o fim do ano. Serão 40 bloqueadores com alcance mínimo de 1 km e outros 40 equipamentos com alcance mínimo de 2 km. Desse total, quatro vão para a SEAP, seis para o GSI, 34 para a Polícia Militar e 36 para a Polícia Civil.
Os bloqueadores conseguem neutralizar os drones no ar, interrompendo imediatamente o sinal de rádio. Após a perda do sinal, o equipamento pode fazer com que a aeronave paire, pouse ou retorne para o ponto de decolagem. Durante esse processo, o drone perde a capacidade de gravar ou transmitir áudio e imagem.
Segundo o secretário do GSI-RJ, Edu Guimarães, a aquisição é fundamental para a segurança pública do Rio.
“A crescente sofisticação das ameaças exige uma resposta tecnológica à altura. A aquisição desses sistemas antidrone é um passo fundamental par reforçar a segurança pública”, destacou.
O governador Cláudio Castro afirmou que os equipamentos fazem parte do pacote de tecnologia para as forças de segurança.
“Já são mais de R$ 4,5 bilhões investidos em câmeras corporais, de reconhecimento facial, leitura de placas, drones e outros equipamentos de ponta que são grandes aliados da segurança pública”.
O equipamento também será usado para reforçar a segurança em grandes eventos do Rio, como réveillon e os shows em Copacabana.

