Reflexões sobre o sentimento de insegurança

Em 02 de fevereiro de 2020, um homem armado com uma faca e vestido com um colete que simulava conter explosivos atacou e feriu duas pessoas em Londres, sendo morto em seguida pela polícia. A suspeita de que poderia haver explosivos no colete caracterizou a ação como um ato terrorista e tornou obrigatória a decisão de se isolar a área e promover uma ação para desocupação dos locais e das proximidades.

Quando o policial chegou para fazer o anúncio em um restaurante, o funcionário não quis acatar a sua ordem e diante da insistência do policial solicitou pelo menos trinta minutos para os clientes terminarem as refeições.

O que leva uma pessoa a ter essa atitude diante de fato com tal gravidade?

Pode-se afirmar que o sentimento de insegurança é hoje muito presente nas pessoas, pois o fluxo e acesso das informações sobre os fatos criminosos são gerados de forma imediata e muitas vezes em tempo real.

Isto traz uma consequência boa e outra ruim. A boa é que a massificação da informação mobiliza a população a pensar nas questões de segurança e exigir das autoridades respostas efetivas, buscando com isso, aquilo que todos sempre almejam  – a paz social. A consequência ruim é que, as pessoas, ao serem diariamente bombardeadas com notícias de crimes e tragédias na área da segurança pública, algumas acabam tendo um sentimento de recusa e insensibilidade, fazendo lembrar a teoria da “banalidade do mal” da filósofa e pensadora alemã Hannah Arendt que logo após a 2ª Guerra Mundial, especificamente no julgamento dos nazistas responsáveis pelo extermínio dos judeus, notou que não havia constrangimento dos réus diante dos fatos. Para eles, a justificativa de que só estavam “cumprindo ordens” bastava.

A luta permanente pela redução dos indicadores criminais e pela diminuição do sentimento de insegurança que aflige a maioria das pessoas, não pode ser confundida da forma como fez o funcionário do restaurante em Londres. Onde foi parar o sentimento de indignação, diante de fato tão significativo que vitimou pessoas e abalou a ordem pública?

Devemos manter permanentemente elevado o nível do nosso poder crítico e de fiscalização em relação ao nosso próprio comportamento e também junto aos órgãos públicos para não cair na tentação de relativizar as questões de violência e criminalidade.

A história já mostrou e não hesitará em mostrar novamente as consequências decorrentes de quando fingimos não ver ou viramos o rosto em comportamento omissivo diante de fatos que merecem inquestionável enfrentamento.

Diógenes Lucca –  Tenente Coronel veterano da Polícia Militar de São Paulo e foi um dos fundadores do GATE – Grupo de Ações Táticas Especiais. Durante os 30 anos que atuou no serviço ativo especializou-se na doutrina de gerenciamento de crises com explosivos, negociação com reféns e proteção de pessoas.

 

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