Projeto de segurança integra videovigilância e sonorização em aeroporto

Requisitos únicos de design, como tetos ultra-altos, levaram o local a adotar câmeras panorâmicas discretas e sistemas sonoros precisos para garantir clareza na comunicação


O Aeroporto Internacional de Chengdu Tianfu, na China, nasceu com uma ambição dupla: tornar-se um dos principais hubs de transporte do país e, ao mesmo tempo, transformar sua arquitetura em parte central da experiência dos passageiros. O projeto, marcado por tetos curvos, fachadas inclinadas e amplos espaços internos, trouxe desafios técnicos significativos para áreas críticas como videovigilância e sonorização, especialmente em um terminal projetado para receber até 90 milhões de passageiros por ano.

A identidade visual do aeroporto faz referência direta ao Golden Sun Bird, artefato arqueológico descoberto em 2001 nas Ruínas de Jinsha, em Chengdu, e posteriormente adotado como símbolo oficial da cidade. Os traços cintilantes desse ícone foram incorporados aos edifícios do terminal, reforçando o caráter monumental da obra. No entanto, a estética arrojada exigiu soluções igualmente inovadoras para garantir segurança operacional sem comprometer o design.

Como segundo aeroporto internacional da província de Sichuan – que abriga cerca de 81 milhões de habitantes –, o Chengdu Tianfu coloca a cidade no mesmo patamar de Pequim e Xangai, únicas no país a contar com múltiplos aeroportos internacionais. Esse protagonismo ampliou a exigência por sistemas de segurança capazes de lidar com grandes fluxos de pessoas em ambientes amplos e visualmente complexos.

Vigilância em ambientes de grande altura

Em aeroportos, a videovigilância é um requisito básico. No entanto, no caso de Chengdu Tianfu, a altura dos tetos e os ângulos incomuns das estruturas inviabilizavam o uso de câmeras convencionais. Instaladas a grandes distâncias, essas câmeras tenderiam a gerar imagens de baixa qualidade e campos de visão limitados, dificultando o monitoramento completo das áreas comuns.

A alternativa encontrada foi a adoção de câmeras panorâmicas Bosch, capazes de oferecer imagens amplas e detalhadas mesmo em ambientes de grandes proporções. Ao todo, foram instaladas 1.000 câmeras desse tipo, número cerca de 75% menor do que o normalmente exigido em projetos aeroportuários dessa escala. A redução trouxe impacto direto nos custos, não apenas pela diminuição do número de dispositivos, mas também pela economia em infraestrutura, cabeamento, instalação e recursos humanos.

Cada câmera é equipada com uma única lente, responsável por gerar imagens panorâmicas nítidas e confiáveis. Diferentemente de modelos com múltiplos sensores, que podem causar distorções, essa configuração contribui para melhor qualidade de imagem, com aprimoramento de cor, brilho e capacidade de detecção. O campo de visão de 180 graus, com alcance de até 25 metros em raio e distância correspondente, permitiu ampliar a cobertura ao mesmo tempo em que reduziu a quantidade de pontos de instalação.

Outro fator decisivo foi a integração estética. As câmeras foram incorporadas de forma discreta ao ambiente, instaladas em painéis de informação ou ocultas nas paredes e nos tetos altos dos terminais. A solução atendeu à exigência de preservar o design interior dos edifícios, mantendo a vigilância praticamente invisível ao passageiro.

Acústica como desafio operacional

Além da vigilância, o projeto enfrentou um segundo obstáculo técnico: a acústica. O uso extensivo de vidro nos interiores dos terminais cria condições propícias para reflexão sonora e distorções, o que poderia comprometer a inteligibilidade de anúncios e alertas aos passageiros.

Para evitar esse problema, a equipe responsável pelo projeto recorreu a um software de simulação acústica, utilizado para calcular o posicionamento ideal de alto-falantes e matrizes de áudio. O resultado foi a instalação de 9.000 alto-falantes distribuídos em 700 zonas de transmissão, integrados ao sistema digital de sonorização e alarme por voz PRAESIDEO. A configuração garante clareza de fala em qualquer ponto do complexo aeroportuário, independentemente do nível de ruído ambiente.

Comunicação segmentada em áreas sensíveis

Em um aeroporto de grande porte como Chengdu Tianfu, a comunicação precisa ser segmentada. Além das áreas de circulação pública, o complexo inclui escritórios operacionais e um hotel de aeroporto, cada um com necessidades específicas de anúncio e confidencialidade.

Para esses ambientes, foi adotado o sistema PRAESENSA, que permite direcionar comunicados às pessoas certas, no momento adequado, especialmente no hotel anexo. Já nas áreas administrativas, onde ocorrem reuniões e conferências sensíveis, o sistema DICENTIS Wireless garante a proteção dos dados de áudio por meio de algoritmos de criptografia, assegurando a confidencialidade das informações trocadas.

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