Peter Graber: lenda do mercado de segurança brasileiro

Empreendedor, que acaba de completar 70 anos, revolucionou o segmento de segurança trazendo o conceito de central monitoramento de alarme para o Brasil na década de 1980

Celebrando sete décadas de existência e uma trajetória ímpar no universo da segurança eletrônica, o emblemático Peter Graber é uma verdadeira lenda do setor. O empresário não apenas testemunhou a evolução do mercado, mas também desempenhou um papel crucial em sua transformação ao longo dos anos.

Filho de um engenheiro suíço que escolheu o Brasil como lar na década de 1950, Peter traz consigo uma bagagem educacional inquestionável, graduando-se na Poli-USP e aprimorando seus conhecimentos em um MBA em Harvard. Desde os primeiros passos de sua carreira, a influência de seu pai, que sempre valorizou alta performance e dedicação ao trabalho, moldou os princípios que guiariam sua jornada empreendedora.

O início dos anos 1980 marcou o ingresso de Peter no mercado de segurança no Brasil. Introduziu o conceito inovador de central de monitoramento de alarmes, desbravando desafios técnicos, comerciais e operacionais. Essa visão visionária culminou na fundação da empresa que não só defendeu a bandeira da qualidade, mas também se tornou pioneira na integração de sistemas de segurança, uma abordagem revolucionária para a época.

Ao longo das décadas seguintes, o Grupo Graber diversificou-se e inovou incessantemente. A venda estratégica de empresas, investimento em monitoramento de veículos e a participação na Veotex, integradora de sistemas de segurança e telecom, são marcos que solidificaram sua presença no setor.

Atualmente, o Grupo Peter Graber atua no segmento alarmes monitorados e portaria remota. Com mais de 1.500 plantas industriais implantadas, a empresa não apenas se destaca pelo pioneirismo, mas também pela incansável busca por excelência em serviços.

Além de seu impacto no mercado de segurança, seu legado se estende para outros empreendimentos em setores diversos como agropecuário, internet e até mesmo moda. Com uma rede de relacionamentos sólida em diversos países, sua constante atualização e contribuição para iniciativas educacionais, como o plano nacional de melhoria da educação, junto com  executivo Paulo Lemann e outros empreendedores de renome, evidenciam um compromisso contínuo com o desenvolvimento social e econômico.

Esta entrevista com Peter Graber, fundador e conselheiro do Grupo Graber, oferece uma visão única da história da empresa e insights valiosos sobre inovação, desafios e o futuro da indústria de segurança.

Revista Segurança Eletrônica: Você atua no mercado de segurança desde a década de 1980, você introduziu o conceito de central de monitoramento de alarmes no Brasil. Pode compartilhar um pouco dessa trajetória profissional?

Peter Graber: O começo foi realmente inovador para a época, porque estávamos falando de algo nova, que praticamente não existia no Brasil, era um produto/serviço absolutamente no início do seu ciclo de vida. Começamos como uma empresa de alarme, e de cada 10 visitas que fazíamos, em 9 a pessoa não comprava, estávamos gerando uma demanda primária que estava começando, isso porque ninguém conhecia alarme no Brasil, então tínhamos que vender uma ideia. Além disso, o preço era bastante alto, porque quando vendia-se pouca quantidade.

O setor de segurança, que antes se limitava à vigilância, transformou-se em um cenário multifacetado globalmente, com produtos, serviços, tecnologias, hardware, software.

Iniciamos como uma empresa integradora, posteriormente formamos uma parceria com uma multinacional de vigilância, adquirimos sua parte e seguimos independentes. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, exploramos vários segmentos da indústria, incluindo rastreamento de veículos e gestão de risco para roubo de carga e a empresa de alarme, que ao longo dos anos se tornou a maior do país.

A constante inovação e adaptação foram elementos essenciais na nossa trajetória.

Revista Segurança Eletrônica: Como foi estar envolvido em diferentes setores da segurança desde o início? Vocês foram pioneiros em várias áreas, introduzindo novas tecnologias no mercado.

Peter Graber: Sempre buscamos a inovação e a excelência, mantendo um padrão elevado na relação qualidade-preço e tendo como mantra “cliente satisfeito a qualquer custo”.

No início, enfrentamos muitos desafios, especialmente na década de 1980, quando a importação era proibida, e éramos obrigados a projetar e fabricar internamente. Destaco o papel fundamental dos parceiros Savio de Melo, que esteve comigo desde a data zero e foi quem projetou o primeiro alarme da companhia; e de Agostinho Neto, que iniciou em 1982 como estagiário de engenharia. Ambos, após algumas décadas, se tornaram sócios empreendedores da organização. Esses dois profissionais, aliado ao executivo Pierre Schlumpf, foram essenciais desde o início da companhia.

Revista Segurança Eletrônica: Você esteve recentemente nos Estados Unidos, explorando sobre a inteligência artificial. Como você acha que essa tecnologia impactará o setor de segurança?

Peter Graber: Isso mesmo, visitei a Microsoft, a Google, a OpenAI, a empresa que fez o ChatGPT, estive na universidade Stanford, tudo com o objetivo de primeiro de aprender sobre inteligência artificial, tentar entender os impactos que terá na nossa sociedade em todas as áreas. Hoje temos um desafio grande que é nos prepararmos como como cidadãos, profissionais, empresas, para o que vem vindo. Precisamos aproveitar a tecnologia, a inteligência artificial, para se tornar uma companhia melhor, mais inovadora, eficiente e produtiva.

Eu li um artigo do Bill Gates que ele fala que se deparou com apenas duas tecnologias “transformacionais”. A primeira foi quando, por volta de 1980, um engenheiro que não trabalhava na Microsoft, veio mostrar pra ele uma forma de mudar a interação do ser humano com a máquina, e isso deu origem ao Windows; e agora a inteligência artificial, segundo Gates, é a segunda coisa muito transformacional que está acontecendo no mundo de hoje e que vai mudar tudo. Quem usa vai se dar bem, e quem não usa vai ser atropelado por quem usa.

Revista Segurança Eletrônica: Ao longo de quatro décadas, a empresa passou por diversas transformações e pioneirismos. Como planejam manter esse ritmo de inovação? Consideram entrar no campo da inteligência artificial?

Peter Graber: O desafio é compreender e aplicar essas mudanças, buscando continuar à frente na inovação. Como conselheiro, meu foco é conversar com as pessoas da empresa para nos adaptarmos às novas tecnologias, incluindo inteligência artificial.

Revista Segurança Eletrônica: Vocês passaram por vários nichos no mercado de segurança, e hoje estão consolidados na área de integração, portaria remota, locker. Como foi a migração para esse nicho?

Peter Graber: Retornamos ao mercado de alarmes alguns anos atrás e identificamos a inovação na portaria remota, uma tecnologia que transformou a forma como prestamos serviços para condomínios. Hoje atuamos em condomínios residenciais e corporativas, e nos tornamos líderes nesse serviço na Grande São Paulo.

Revista Segurança Eletrônica: Quais são os diferenciais da empresa Peter Graber que a destacam no mercado?

Peter Graber: Atualmente temos duas empresas no setor de segurança eletrônica.Mantemos nosso conceito fundamental de garantir a satisfação do cliente. No caso da PGA, operamos  portarias remotas, em tempo real, que exige disciplina de processo para garantir um alto nível de serviço. Monitoramos continuamente o tempo de resposta, investimos em treinamento para a equipe do call center e mantemos padrões de atendimento ágil.É um conjunto de detalhes que faz com que a prestação de serviço seja diferenciada. Possuímos também a maior integradora de sistemas de segurança industrial, genuinamente nacional, que possui hoje mais de 850 sites implantados no Brasil.

Enquanto a PGA atua no mercado B2C, a Veolink atende grandes grupos industriais dos segmentos mais variados. Nesta organização possuímos um departamento dedicado a desenvolver soluções customizadas.

Revista Segurança Eletrônica: Que mensagem você gostaria de transmitir aos profissionais do mercado de segurança?

Peter Graber: Fiquem atentos às tecnologias, não tanto o óbvio, que é dominar a tecnologia para vender, instalar, dar manutenção, mas nas tecnologias que tornam o profissional mais eficiente e produtivo, desde planejar o dia até evitar perda de tempo. Outra coisa é a educação, sempre pense na qualificação. Hoje há uma enormidade de conteúdo online que você pode se beneficiar aprendendo a se tornar um profissional melhor tecnicamente, mais produtivo, esse investimento em si próprio, em educação profissional, é super importante. Além disso, equilibrar a vida pessoal e cuidar da saúde são aspectos fundamentais para o sucesso profissional. Tem como fazer tudo, mas tem que botar no planejamento e executar.

Finalmente uma mensagem que considero fundamental. Sendo empreendedor, devemos ter um cuidado excepcional com as margens obtidas em nossos negócios. Elas devem ser suficientes para custear a qualidade dos serviços prestados. Observo hoje em alguns mercados e, em especial na Portaria Remota, muitas empresas praticando preços muito reduzidos e com isso comprometendo a própria sobrevivência no médio prazo. Há a necessidade, obvia, de termos negócios rentáveis.

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