O teto da sua área de segurança é você

Por Adalberto Bem Haja


Tenho uma frase que uso com frequência nas minhas palestras e que costuma gerar um silêncio incômodo na plateia: o teto do crescimento de uma empresa é o teto do seu fundador ou líder principal. As pessoas ouvem, processam e em algum momento percebem que essa frase não é sobre a empresa, é sobre elas.

Quando falo isso para empresários, o impacto é imediato porque a conexão é direta, mas nos últimos anos tenho observado que essa lógica se aplica com a mesma precisão a outro perfil de profissional: o gestor de segurança corporativa. Aquele que não fundou a empresa, que trabalha dentro de uma grande organização, mas que dentro do seu território é exatamente o que o fundador é dentro da empresa dele. É o líder principal de uma área que cada vez mais impacta decisões estratégicas, orçamentos relevantes e a reputação da organização inteira.

O gestor que opera, mas não evolui

Existe um perfil muito comum no mercado de segurança corporativa que eu chamo de gestor operacional eterno. É o profissional competente, experiente, que conhece profundamente os sistemas que administra, que resolve problemas com eficiência e que mantém a operação funcionando sem grandes sobressaltos. É um profissional valioso, mas que parou no tempo.

Ele conhece as tecnologias que instalou há cinco anos melhor do que ninguém, porém não acompanhou o que mudou desde então. Ele sabe operar o que existe, mas não sabe argumentar pelo que deveria existir. Ele resolve o problema de hoje, mas não enxerga o risco de amanhã. E enquanto ele permanece nesse modo operacional, a área de segurança que lidera permanece exatamente no mesmo lugar, independentemente do quanto o mercado evolui ao redor.

A linguagem que a diretoria fala

Um dos sinais mais claros de que um gestor chegou no próprio teto é quando ele não consegue mais avançar nas conversas com a diretoria. Ele sabe o que a área precisa, tem convicção sobre os investimentos necessários, mas na hora de apresentar para o board ou para o CFO, a conversa trava. O orçamento não é aprovado, o projeto fica em espera, a tecnologia que resolveria um problema real continua na gaveta.

Isso quase nunca acontece porque a diretoria não se importa com segurança, acontece porque o gestor não aprendeu a traduzir segurança para a língua que a diretoria fala, que é a língua do risco financeiro, da exposição legal, da continuidade do negócio e do retorno sobre investimento. Enquanto o gestor apresenta especificação técnica, a diretoria está pensando em exposição e resultado. São duas conversas paralelas que nunca se encontram.

O gestor que aprende a fazer essa tradução deixa de pedir orçamento e passa a apresentar argumento.

A boa notícia é que o teto que estou descrevendo não é fixo, ele se move na medida em que o gestor se move. Cada novo conhecimento adquirido, conversa com um par de outro setor, evento do setor frequentado, leitura sobre tendências de mercado e habilidade de gestão desenvolvida empurra esse teto um pouco mais para cima.

O gestor de segurança que investe no próprio desenvolvimento não está fazendo isso por vaidade profissional, está fazendo porque é a única forma de expandir o que a área consegue entregar para a organização. Uma equipe só vai até onde o líder consegue enxergar.

O que avaliar agora

Se você é gestor de segurança e chegou até aqui, provavelmente já está se fazendo a pergunta certa: onde está o meu teto hoje? Algumas reflexões que podem ajudar a responder isso com honestidade.

– Quando foi a última vez que você aprendeu algo novo sobre o mercado de segurança que mudou a forma como você pensa a sua operação?

– Você consegue apresentar um projeto de investimento em segurança usando argumentos de risco financeiro e continuidade de negócio, ou ainda depende de justificativas puramente técnicas?

– A sua equipe está se desenvolvendo sob a sua liderança ou está estagnada no mesmo nível de dois anos atrás?

– Você conhece as tendências tecnológicas que vão impactar a sua área nos próximos dois ou três anos, ou está descobrindo as novidades depois que elas já chegaram?

O mercado de segurança está mudando em um ritmo que não perdoa estagnação. As empresas que contratam gestores de segurança estão cada vez mais exigentes, mais informadas e mais conscientes do papel estratégico que essa área ocupa dentro do negócio.

O gestor que cresce junto com esse movimento se torna indispensável, mas o que fica parado se torna substituível.

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