Por Adalberto Bem Haja
Acredito que a grande maioria dos empresários gostariam de construir uma empresa de destaque, referência no seu segmento e na sua região, porém poucos estão dispostos a encarar o que essa ambição exige na prática: um padrão elevado na escolha, no desenvolvimento e na manutenção das pessoas que formam o time, mas não existe estratégia que sobreviva a uma equipe que não acompanha.
Quando o assunto é qualidade do time, as justificativas costumam ser as mesmas:
– “Não há gente boa disponível no mercado”
– “Profissional qualificado custa muito caro”
– “A realidade da minha região é diferente”
Todas essas frases têm algo em comum, que é colocar o problema do lado de fora da empresa. Essa postura é confortável, porque isenta o empresário de qualquer mudança, mas é também improdutiva. Profissionais competentes existem e estão empregados em algum lugar neste momento, se não estão na sua empresa, a pergunta que precisa ser feita é o que a sua empresa oferece, ou deixa de oferecer, para atrair e reter esse nível de gente.
O ponto central dessa discussão é entender que, na maioria dos casos, a mediocridade não é um atributo fixo do profissional, mas uma consequência do ambiente em que ele está inserido. Uma pessoa com potencial se desenvolve em uma empresa com metas claras, cobrança justa, reconhecimento proporcional à entrega e liderança presente. Essa mesma pessoa se acomoda, ou vai embora, quando encontra um ambiente sem desafio, sem diferenciação entre quem performa e quem apenas cumpre horário, sem perspectiva de crescimento.
Empresas onde tanto faz ser excelente ou mediano produzem times medianos, porque os melhores profissionais têm opções e não permanecem onde não crescem. Antes de concluir que o time é fraco, o empresário precisa avaliar com honestidade o ambiente que construiu.
– Existe padrão definido de excelência para cada função?
– Existe diferença real de remuneração e oportunidade entre quem entrega e quem não entrega?
A resposta a essas perguntas costuma revelar que o problema não está nas pessoas, mas na gestão que se manifesta através delas.
O peso disso no mercado de segurança
No nosso setor, essa discussão ganha uma dimensão adicional, porque o produto final de uma empresa de segurança é confiança. O cliente entrega a proteção do seu patrimônio, da sua operação e da sua família a essa empresa. Um técnico desmotivado que executa uma instalação sem cuidado, um vendedor despreparado que promete o que o sistema não entrega ou um atendimento que trata uma emergência como burocracia corroem exatamente o ativo mais valioso do negócio. Não há investimento em tecnologia ou marketing que compense, no longo prazo, o dano causado por pessoas erradas em posições de contato com o cliente.
Por isso, empresas que se destacam contratam com critério e corrigem com agilidade. Erros de contratação acontecem em qualquer negócio, mas o que diferencia as empresas bem geridas é o tempo de resposta ao erro. Manter por anos um profissional que comprovadamente não acompanha o padrão da empresa, seja por comodidade ou por receio do conflito, envia uma mensagem silenciosa a todo o restante do time: aqui, o padrão não importa. Os melhores profissionais são os primeiros a escutar essa mensagem e os primeiros a procurar outro lugar.
Por onde começar?
Elevar o nível de um time passa por três movimentos objetivos:
1) Definir com clareza o que é excelência em cada função, porque não se cobra padrão que não foi estabelecido.
2) Criar diferenciação real entre desempenhos distintos, em reconhecimento, remuneração e oportunidade.
3) Conduzir as conversas difíceis que vêm sendo adiadas, oferecendo caminho e prazo para quem precisa evoluir e sendo honesto com quem já demonstrou que não vai acompanhar.
O nível do time de amanhã é definido pelas decisões de hoje sobre quem entra, quem permanece e quem cresce dentro da empresa. Um time medíocre raramente é a causa de uma empresa comum, é a consequência de uma liderança que aceitou o comum como padrão. A empresa extraordinária começa no momento em que o seu líder decide que não aceita mais esse cenário.

