Mulher passa cinco meses presa nos EUA por falha em reconhecimento facial com IA

Angela Lipps foi acusada de cometer fraudes bancárias na Dakota do Norte, estado em que ela nunca esteve


Uma mulher de 50 anos ficou cinco meses presa nos Estados Unidos por uma falha de um software de reconhecimento facial com inteligência artificial. Angela Lipps, de 50 anos, foi processada e ficou detida entre julho e dezembro de 2025 após ser identificada pelo software como suspeita em um caso de fraude bancária em Fargo, no estado da Dakota do Norte – onde ela nunca esteve.

Lipps, que é mãe e avó, contou à emissora de TV WDay que viveu a vida toda no estado do Tennessee, a quase 2 mil quilômetros de distância, e nunca havia entrado em um avião até ter sido presa. “Nunca estive na Dakota do Norte, não conheço ninguém na Dakota do Norte”, relatou.

Os investigadores da Dakota do Norte buscavam a responsável por quatro casos de fraude bancária entre abril e maio de 2025 e analisaram imagens de câmeras de vigilância que mostravam uma mulher usando uma identificação militar falsa do exército dos EUA para sacar dezenas de milhares de dólares. O software de reconhecimento facial com IA apontou Lipps como suspeita e a polícia de Fargo não questionou a conclusão do programa.

Segundo o site de notícias local InForum, o detetive responsável pelo caso analisou as contas de Lipps nas redes sociais e a foto de sua carteira de motorista do Tennessee e, no documento que baseou a acusação, escreveu que a mulher “parece ser a suspeita, com base nas características faciais, no tipo físico e no penteado e cor do cabelo”.

Lipps contou não ter recebido nenhum contato dos policiais até o dia em que foi presa. Ela ficou em uma cadeia do Tennessee até o final de outubro de 2025, quando foi extraditada para a Dakota do Norte.

O advogado de Lipps pediu os registros bancários dela e, quando conseguiu, ela foi finalmente interrogada pela polícia. Os documentos mostraram que, quando a fraude foi cometida, a mulher acusada estava no Tennessee – portanto, não poderia ser ela nas imagens das câmeras de segurança em Fargo. Ela foi libertada da cadeia cinco dias após o interrogatório, na véspera do Natal.

Mas os problemas de Lipps continuaram, já que ela não teve auxílio da polícia de Fargo para retornar ao Tennessee. Advogados de defesa locais ajudaram a pagar um quarto de hotel e a alimentação dela na véspera e no dia de Natal, e uma organização sem fins lucrativos local, a F5 Project, conseguiu ajudá-la a voltar para o Tennessee, de acordo com o InForum.

No período em que ficou presa, no entanto, Lipps perdeu a casa, o carro e o cachorro de estimação. Hoje, ela vive em um trailer com a ajuda de vizinhos e iniciou uma campanha de arrecadação online que já soma US$ 70 mil. Lipps também disse que não recebeu nenhum pedido de desculpas da polícia de Fargo.

Em uma nota oficial enviada à revista People, o chefe de polícia de Fargo, Davi Zibolski, afirmou que a emissão de um mandado de prisão indica que um tribunal determinou a existência de causa provável para as acusações, mesmo que posteriormente tenham sido arquivadas, e que o caso de fraude bancária segue em investigação.

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