Monitoramento facial vale a pena?

Por Lucas Kubaski, diretor de soluções da Dahua Technology

Utilizada no mundo inteiro, seja para fins de segurança pública ou privada, a tecnologia de reconhecimento facial por meio da inteligência artificial veio para ficar. Um mapeamento da Surfshark, empresa que desenvolve ferramentas de proteção de privacidade na internet, revelou em meados de 2020 que 92% dos países na América do Sul possuíam algum tipo reconhecimento facial, do desbloqueio do celular até identificação em aeroportos.

Ainda segundo o estudo, cerca de 98 países do mundo usavam o recurso em algum tipo de vigilância pública. No continente sul-americano a tecnologia foi adotada pelos departamentos de polícia com grande efeito. Na Argentina, por exemplo, ajudou a polícia a fazer 590 identificações em apenas seis semanas em 2019 e no Carnaval de Salvador do ano seguinte, câmeras de segurança identificaram e ajudaram a capturar 42 foragidos.

A tecnologia também ajuda a explicar o sucesso desse tipo de dispositivo. Atualmente, estão disponíveis no mercado equipamentos de eficácia comprovada, submetidos a testes rigorosos de órgãos internacionais como o Nist (National Institute of Standard and Technology). Apresentam índice de confiabilidade de identificação de 99% porque consideram um conjunto de informações como os pontos de distância entre os ossos, olhos, maçãs do rosto e queixo para fazer a identificação. Veja abaixo cinco vantagens do reconhecimento facial:

Sem contato físico

Com a pandemia passamos a dar ainda mais valor ao reconhecimento facial porque além de ser eficaz, dispensa o contato dos dedos com o equipamento, ao contrário do que ocorre na biometria digital. Desta forma, evita a transmissão do vírus da Covid-19 e outras doenças.

Identificação até com máscara

Algumas tecnologias, como câmeras híbridas com sistemas avançados de algoritmos são capazes de fazer o reconhecimento ainda que a pessoa esteja com máscaras de proteção facial ou até algum tipo de disfarce, como chapéu, peruca e óculos de sol.

Cidades inteligentes e mais seguras

O reconhecimento facial para auxiliar as atividades dos órgãos de segurança pública vai ao encontro do conceito de cidades inteligentes, na qual o uso da tecnologia da informação contribui com a gestão da dinâmica e funcionamento dos grandes centros metropolitanos. Servem como ferramenta de informação para planejar e implementar políticas nas áreas de transporte, meio ambiente, saúde, educação, energia e de segurança. A ideia deve residir na formatação de uma metodologia, para o uso civil e criminal destes mecanismos, cujo foco seja a proteção do cidadão e a prevenção e o combate à criminalidade. Iniciativas quando realizadas de forma coerente com as normas e os princípios constitucionais tendem a oferecer resultados relevantes para toda a sociedade.

Mais tranquilidade na casa e no trabalho

Projetos de alta performance, modernos e completos, garantem a tranquilidade em condomínios residenciais e comerciais. Mais do que simplesmente o fornecimento do dispositivo, há soluções que abrangem uma rede completa de sistemas de segurança, recursos analíticos inclusive de comportamento, sensores e CFTV (Circuito Fechado de Televisão), para monitoramento ininterrupto. A inteligência artificial possibilita, por exemplo, a recuperação de registros de incidentes com a análise pontual e alta capacidade de transmissão de dados e imagens.

Identificação de pessoas perdidas

Segundo o Gartner, nos próximos anos poderá haver uma redução de 80% de pessoas desaparecidas em comparação com 2018, devido ao reconhecimento facial disponibilizado por soluções baseadas em IA e câmeras inteligentes. Estes equipamentos são conectados a redes de centrais de monitoramento mistas e semiautomáticas (inteligência digital com classificação e adição de supervisão humana) para execução da pronta-resposta baseados em protocolos operacionais variados. Os avanços da tecnologia permitirão às autoridades a identificação, principalmente, de crianças perdidas e idosos, e indivíduos perigosos à solta mesmo em grandes conjuntos de população, em eventos públicos ou de pequenos fluxos privados, como prédios empresariais ou áreas urbanas de maior incidência de casos como parques, praças e terminais de ônibus, por exemplo.

Tais vantagens representam apenas uma parte de uma gama interminável de possibilidades. Outras tantas como melhorar as experiências dos clientes no atacado ou varejo fazendo sugestões de produtos com base no histórico de compras. No setor bancário substitui senhas, testa reação dos consumidores em marketing e publicidade, agiliza o registro de pacientes em hospitais e faz o controle de acesso de alunos nas instituições de ensino e de colaboradores nas empresas. Enfim, transforma o que até pouco tempo parecia apenas um sonho tecnológico em uma realidade concreta.

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