Inteligência Artificial em sistemas de segurança eletrônica

Por Adriano Oliveira

Um procurado pela polícia anda pelas ruas disfarçado – óculos escuros e cabelos pintados – razoavelmente diferente do dia em que cometeu seu último assalto meses atrás. Ao passar pela polícia, que faz patrulha na região, não chama atenção e segue seu destino.

Alguns quarteirões adiante o meliante entra na estação de ônibus para viajar para o interior, o que ele não sabe é que aquela estação conta com câmeras e servidores que rodam algoritmos de Inteligência Artificial para fazer reconhecimento facial.

Ao passar por uma dessas câmeras, seu rosto é identificado em poucos segundos em meio à milhares de faces que estão no banco de dados de procurados do governo – a polícia é imediatamente avisada, a viatura mais próxima da câmera que o identificou chega ao local, graças ao GPS que trabalha em conjunto com o sistema. O policial dá uma bela conferida no sujeito, pede seus documentos e dá voz de prisão.

A descrição acima pode parecer uma cena tirada de um filme de ficção científica, mas não é. É pura realidade, acontecendo hoje, agora.

Inteligência Artificial não é novidade e embora o seu conceito possa variar de acordo com a fonte consultada, existem alguns pontos chaves que devemos levar em consideração para entender do que se trata: autonomia e adaptação.

Uma máquina com Inteligência Artificial pode executar tarefas sem intervenção humana direta e melhorar o que faz baseado em experiência.

Entre outras aplicações, a Inteligência Artificial tem sido empregada largamente para o desenvolvimento de carros autônomos, análise de Big Data e processamento de vídeo, essa última, uma das que mais nos interessa quando o assunto é segurança eletrônica.

Desafios da segurança eletrônica

Erroneamente, as chamadas “Análises de Vídeo” em câmeras IPs e gravadores são chamadas de Inteligência Artificial. Essa “inteligência” possui suas limitações e, apesar de terem sido um enorme passo no que diz respeito ao desempenho desses dispositivos, não são suficientes para que os sistemas “aprendam” o que fazer nem “se ajustem” de acordo com o ambiente.

Além disso, quando falamos em uma grande quantidade de dados para ser analisada, os sistemas atuais são limitados e a busca de dados exige muito tempo e poder de processamento.

Se considerarmos que a tendência é termos Petabytes de dados de vídeo armazenados em servidores de armazenamento de larga escala, principalmente quando falamos em monitoramento urbano, os sistemas atuais terão muita dificuldade de lidar com esse volume de dados.

E é pensando nessas limitações que o uso de Inteligência Artificial vai mudar o que conhecemos hoje por CFTV e segurança eletrônica.

Inteligência na borda e na retaguarda

O grande poder de fogo dos processadores atuais aliados ao seu tamanho reduzido está permitindo que a mudança ocorra em duas frentes:

1. Na borda, dispositivos como câmera IP já estão vindo equipadas com processadores capazes de rodar algoritmos de Inteligência Artificial complexos para fazer, por exemplo, reconhecimento facial e determinar o comportamento dos objetos monitorados.

2. Nos servidores (principalmente na nuvem), que já estão equipados com processamento capaz de analisar toneladas de dados de imagens, o que vai permitir, por exemplo, encontrar pessoas desaparecidas há anos caso tenham passado pelas câmeras e prever tumultos antes mesmo que ele ocorra.

Muitas são as aplicações da Inteligência Artificial em sistemas de segurança e esse está sendo o grande passo que irá transformar o alcance que os sistemas de vídeo vigilância possuem.

Esse artigo não teve como objetivo falar tecnicamente sobre o assunto, mas apenas fazer uma breve introdução do que a tecnologia de Inteligência Artificial está fazendo e qual o futuro ela promete para o mundo da segurança eletrônica.


Adriano Oliveira trabalha com segurança eletrônica há mais de 16 anos, tem pós-graduação em segurança da informação, é formado em redes e mantém o blog Hardware Magazine.

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