Inovação disruptivas: a necessidade de romper os velhos cadeados

As inovações disruptivas rompem diretamente com os modelos anteriores e as empresas atingidas precisam evoluir rapidamente para acompanhá-las.

Sabemos que toda inovação tem um potencial enorme para criar oportunidades, e isso não é nenhuma novidade. Porém, há um tipo de inovação que é muito mais poderosa, a disruptivas. Você já ouviu falar dela? Então, relaxe: eu também não sabia até ouvir um CEO, pouco tempo atrás, falar a seguinte frase: “Essa inovação é disruptivas”. Palavrinha estranha essa não? Na hora eu também achei, mas como ele falou com tamanho entusiasmo e autoridade, fui percebendo que se tratava de um elogio.

Assistimos o mercado de segurança eletrônica nacional apresentando rotineiramente inovações incrementais, que se traduzem em evoluções do que já existe. Uma câmera que tem melhor resolução, um tipo de armazenamento que é infinitamente mais ágil, consome menos energia e duram mais, porém o mercado nos mostra que as inovações que realmente geram impactos elevados são as chamadas inovações disruptivas. E o que são elas?

Ao invés de explicar, eu vou dividir com vocês algumas inovações para que possam tirar as suas próprias conclusões sobre o seu verdadeiro valor.

Hoje, quantas pessoas ainda têm navegadores GPS em seus carros com mapas que eram atualizados a cada 12 meses junto com a revisão do carro? Por onde eles andam? A chegada do aplicativo Waze fez com que eles perdessem muito valor. Hoje, mais importante do que ter mapas em uma bela resolução, é ter algo mais confiável para seguir a rota de forma ágil e segura e, principalmente, informações em tempo real de acidentes, mudanças inesperadas, interdições, trânsito, dentre outras.

O que falar então do WhatsApp? Ele mudou a maneira como a população se comunica, seja no trabalho ou na vida pessoal. Hoje, nem mesmo a empresa mais tradicional deixa de utilizá-lo como ferramenta de comunicação. E ele realmente rompeu com a forma de comunicação tradicional que era utilizada há anos.

Um exemplo disso foi o impacto que aconteceu na vida de todos os brasileiros quando o aplicativo ficou alguns dias suspenso por decisão judicial. Milhares de pessoas tiveram suas vidas abaladas e as empresas sofreram diretamente com essa suspensão. O WhatsApp rompeu com o modelo tradicional de comunicação, criando uma nova maneira das pessoas conversarem, ou seja, a forma tradicional se tornou passado. É um retrocesso, literalmente, ter que fazer várias ligações para informar algo que hoje informamos em um décimo do tempo, utilizando o WhatsApp. O que houve, então, foi uma ruptura no modelo de comunicação, não uma evolução da ferramenta com a qual se comunica.

As inovações disruptivas não convivem de forma suave. Elas rompem diretamente com os modelos anteriores, fato que faz com que as empresas atingidas por elas tenham que evoluir rapidamente para acompanhá-las.

As empresas, a cada dia, precisam estar atentas a estas inovações para que possam usufruir o que de bom elas podem promover em seus negócios. Caso contrário, correm um sério risco de ficarem literalmente para trás.

Uma solução que vem sendo identificado para o mercado de segurança eletrônica como inovação disruptiva é a captura de imagens com softwares de reconhecimento facial. Eles adicionam inteligência à captura das imagens e isso abre um horizonte imenso de oportunidades. Um exemplo é a identificação de cada pessoa que colocar os pés em um determinado local onde houver esse monitoramento. Ninguém, mesmo que disfarçado, passará desapercebido. Isso promoverá uma verdadeira revolução na segurança de todos.

A história mostrou que tentar fragilizar uma inovação ao invés de aliar-se para tirar o melhor proveito dela, tem se mostrado uma decisão pouco acertada. Mas não é apenas no Brasil que as empresas perdem os seus espaços por falta de habilidade para lidar com esse cenário. No mundo todo, grandes empresas pagaram preços altos com isso.

Por isso a maneira de lidar com a inovação está mudando e os CEOs atuais já entenderam que não devem negar uma inovação para tentar manter os seus modelos de negócios. Fazer isso, segundo mostra a história, pode significar a ruína da sua empresa.

Porém, no Brasil, infelizmente, a inovação ainda sofre bastante para ser aceita, principalmente quando ela nasce em solo nacional. Grande parte das pessoas que conheço recebem melhor o que vem de fora. Às vezes me pergunto porque isso acontece se o brasileiro é reconhecidamente um povo criativo.

Nesse quesito eu posso falar com propriedade. Até o meu projeto se tornar o vencedor de um dos maiores eventos de inovação da América Latina, eu fui chamado de louco mais de uma centena de vezes e perdi a conta de quantas pessoas “torceram o nariz” para ele. Mas o que mais me surpreendeu foi que grande parte dessas pessoas hoje reconhecem que foram preconceituosas com a inovação.

A maior vantagem do Brasil é que mesmo estando na maior crise da sua história, o mercado de segurança vem apresentando uma taxa de crescimento expressiva, ainda mais quando comparado aos demais mercados. Isso demonstra claramente que temos muito potencial a ser explorado.

E mais, infelizmente por sermos um país com índices de violência elevados, temos um cenário mais propício para o surgimento das inovações. Fico feliz que, graças ao amadurecimento desse mercado, pouco a pouco a cultura da reação vem dando lugar à cultura da prevenção.

Outro fato que mostra um horizonte enorme a ser explorado é que basta uma simples análise nos números para identificar que os valores investidos no segmento de segurança no Brasil ainda são tímidos quando comparados aos valores investidos nos países desenvolvidos.

Prova disso é o que, segundo dados oficiais, os bancos brasileiros investem proporcionalmente até quatro vezes menos em tecnologia que nos Estados Unidos e países da Europa. Basta uma avaliação básica em algumas instalações com histórico de perdas para identificarmos que as mesmas apostam muito menos em inovações do que deveriam.

Falo isso com propriedade porque, durante o desenvolvimento da minha solução de engenharia, pesquisei materiais que já são amplamente empregados fora do Brasil, mas que aqui nem possuem simples representantes. Um fabricante, inclusive, me relatou que tentou fomentar a venda para o Brasil de um de seus produtos de maior sucesso mundial, mas desistiu porque nenhum dos seus clientes quis investir em algo novo, mesmo se convencendo da eficácia do mesmo.

É inegável que muitos players precisam urgentemente re- cuperar o tempo perdido, e mesmo que tardiamente, preci- sam acreditar que tem potencial para encontrar respostas à altura para os seus problemas. É para isso que as inovações, sejam elas incrementais ou disruptivas, precisam ser encon- tradas e colocadas em prática.

Lamento que muitos segmentos que têm a segurança como principal aliada ainda continuem investindo em velhos “cadeados”, depois de ter suas “portas” arrombadas repeti- damente. E pior, que continuem investindo nos mesmos “ca- deados”, que não representam mais dificuldades à altura para inibir que o pior aconteça.

Se não investirmos em inovação continuaremos assistindo a constantes derrotas de “7×1”. Porque o segmento de Segurança, como o da Medicina, não permite falhas, e o preço da demora para a resposta adequada costuma ser muito caro. Se até o câncer evolui, porque alguns players demoram tanto para evoluir?

Como dizia Einstein: “Loucura é querer resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa”. Por isso que eu tenho certeza que inovar não é uma simples escolha, inovar é uma obrigação.

 

Tarcísio Melo

Mais conhecido como Dr. Inovação, é Engenheiro Mecânico formado pela UERJ e de Segurança do Trabalho pela UFF, com MBA em Gestão Ambiental (Coppe-UFRJ). Palestrante e empreendedor, ganhou o prêmio Acelera Start Up da Fiep em 2015 com o projeto da tela de bloqueio. Criou e administra a Indústria da Solução e vem investindo a cada dia em novas invenções para romper paradigmas e inserir a inovação no dia a dia dos empreendedores brasileiros.

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