IA, energia e soberania de dados vão definir a agenda de 2026

Por Paulo de Godoy, country manager da Pure Storage


Em 2026, os líderes entrarão em um período de decisões estruturais que vão além da adoção de novas tecnologias. A combinação entre riscos crescentes, pressões regulatórias e demandas operacionais fará com que a infraestrutura passe a ocupar um papel ainda mais estratégico nas empresas. Esse movimento traz implicações diretas para a forma como as lideranças planejam resiliência, energia, dados e virtualização, e antecipa tendências que vão orientar as prioridades ao longo do próximo ano.

IA: Realismo e repatriação

A era do entusiasmo excessivo ficou para trás e as empresas estão muito mais realistas sobre quais projetos de IA iniciarão ou continuarão. Os líderes continuam responsáveis por aumentar a lucratividade, expandir os negócios e mitigar riscos, e a IA oferece caminhos claros para avançar nessas frentes quando implementada corretamente. O excesso de opções fragmentadas dificultou a priorização nos últimos anos, e 2026 trará consolidação: apenas os projetos que reforçam esses três papéis e demonstram ROI seguirão adiante. Com modelos evoluindo rapidamente e custos mudando de forma imprevisível, a escala deixará de ser vantagem competitiva. O diferencial estará na capacidade de adaptação: trocar modelos, ajustar cargas entre nuvem, on-premise e borda e responder de forma ágil às mudanças técnicas. A vantagem não estará no tamanho da infraestrutura, mas na velocidade com que ela pode ser ajustada.
Outro elemento central será a repatriação acelerada de workloads. A nuvem continuará útil para testes, mas as empresas trarão cargas de trabalho de volta para ambientes on-premises com muito mais agilidade, e os data centers de borda terão papel importante nesse movimento. A soberania de dados impulsionará essa mudança, exigindo decisões mais intencionais sobre onde as informações ficam armazenadas, quem tem acesso e quem exerce controle. Esse tema influenciará onde os dados residem e onde o treinamento ocorre, e como as cadeias digitais serão estruturadas em 2026.

Energia VS data centers e o novo padrão

Embora os esforços para reduzir o consumo de energia tenham perdido espaço nas agendas políticas e empresariais nos últimos meses, o tema continua sendo prioridade para alguns. Observo três grandes tendências.

1. A disponibilidade de energia será um critério fundamental na construção de novos data centers, e a escassez de eletricidade atrasará as construções. A arquitetura e a localização dos data centers serão definidas principalmente pelo acesso à energia, e a colocalização da geração de energia e dos data centers evitará a dependência de uma rede elétrica subdimensionada.

2. As soluções de aquecimento urbano, que aproveitam a distribuição do calor residual dos data centers em outros locais, se tornarão mais comuns. Os fornecedores começarão a fazer algo com o calor produzido, seja desviando-o para residências ou estufas para a agricultura. No entanto, até que seja obrigatório por regulamentação, não é algo que será levado a sério, e os governos precisam considerar isso.

3. Outro padrão deve ser atualizado é a forma como a eficiência do armazenamento de dados é medida. Terabytes por Watt (TBe/W) mede a quantidade de dados armazenados por unidade de energia e deverá ser adotado como métrica padrão. Essa é uma medida relevante e clara, que reflete o uso de energia no mundo real e funciona como um parâmetro simples, preciso e independente de fornecedores. A adoção desse indicador pode reduzir o impacto do aumento dos preços da energia, aumentar a segurança energética e aliviar a pressão sobre a infraestrutura já sobrecarregada.

Preparação e inferência serão decisivas na IA

A maioria das empresas ainda enfrenta o desafio da preparação de dados. Preparar os dados para IA exige passar por uma série de etapas, como ingestão, curadoria, transformação, vetorização, indexação e disponibilização. Cada uma dessas fases pode levar dias ou semanas e atrasar o momento em que os resultados do projeto de IA podem ser avaliados. As empresas que se preocupam em usar IA com seus próprios dados vão priorizar a otimização e automatização de todo o fluxo de dados para IA, tanto para uma avaliação inicial mais rápida dos resultados, quanto para a ingestão contínua de dados recém-criados e novas iterações.

O próximo ano vai exigir decisões maduras sobre como as empresas sustentam seus ambientes, e esta próxima fase não será marcada por volume de iniciativas, mas pela qualidade das escolhas. Priorizar a base certa permitirá que sua empresa continue crescendo com segurança, responsabilidade e previsibilidade.

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