Em Foco Grupo Nice: Expansão e compromisso com o Brasil

O Grupo Nice adquiriu neste ano a Linear-HCS, empresa brasileira especializada no desenvolvimento de soluções para Controle de Acesso. Para entender melhor o que muda para os fornecedores, parceiros e clientes finais da Linear e quais serão os próximos passos da Nice no Brasil, conversamos com André Dini, gerente da Divisão de Controle de Acesso do Grupo Nice

Por Fernanda Ferreira

Revista Segurança Eletrônica: Poderia nos dar um panorama sobre a Linear?
André Dini: A Linear é uma fabricante e desenvolvedora de soluções para controle de acesso. Trabalhamos exclusivamente com uma linha própria de equipamentos, desenvolvida e fabricada em São Caetano do Sul (São Paulo). Atuamos principalmente em soluções para condomínios verticais e horizontais, residenciais e em breve no segmento corporativo.

Revista Segurança Eletrônica: Recentemente a Linear foi adquirida pelo Grupo Nice. Como foi essa negociação e qual a perspectiva de crescimento com essa compra?
André Dini: A conversa começou na Exposec de 2017. As negociações duraram o ano todo, em dezembro foi concretizada e o Grupo Nice assumiu em janeiro a fábrica da Linear. Nós ficamos muito tranquilos e seguros quanto a venda para o Grupo Nice, porque é um Grupo que respeita os valores e as características de cada empresa que incorpora, é uma companhia internacional, presente em mais de 100 países, e a aquisição da Linear foi justamente para isso, aumentar o portfólio e dar mais poder de escolha para o cliente.

Revista Segurança Eletrônica: O que muda com essa nova integração, até com os próprios fabricantes e parceiros do Grupo (Peccinin e Genno)?
André Dini: Todas as tratativas comerciais com os parceiros da Linear permanecem sem alteração. Não houve mudanças na política comercial da Linear com os seus fornecedores e parceiros, permanece tudo exatamente como está. Com os parceiros da Peccinin e Genno, a ideia é começar a fazer essa sinergia, começar a ter um portfólio maior de produtos. Dessa forma, eles terão uma linha de controle de acesso, uma linha de automatizadores e uma linha de alarmes. Esses parceiros serão privilegiados porque terão o portfólio completo.

Revista Segurança Eletrônica: Como funciona a política comercial da Linear e quais são seus principais parceiros?
André Dini: A Linear trabalha fortemente com os principais distribuidores do Brasil e está focada principalmente na região Sul, Centro-Oeste e Sudeste. O nosso grande desafio será expandir para as outras regiões do país. Já temos alguns negócios no Norte e Nordeste, mas provavelmente daremos uma ênfase maior a partir de agora. Nossos principais parceiros são os líderes dos canais de distribuição, nós priorizamos sempre essa união. Também fazemos parcerias com integra- dores que desenvolvem software. Nestes 25 anos de história, a Linear nunca fixou em um único parceiro, sempre tivemos a preocupação de deixar todos os nossos equipamentos com protocolo aberto para quem quiser desenvolver uma solução a partir do sistema da Linear. Nós enviamos toda a documentação e o integrador pode fazer um software próprio atendendo a sua necessidade e mercado. Isso ampliou nossos horizontes e chegamos a lugares que provavelmente não alcançaríamos se estivéssemos sozinhos. A Linear hoje tem um software básico, apenas para fazer algumas configurações e registros simples, mas se precisar de um software mais completo, para uma portaria local ou para portaria remota, por exemplo, nós temos os nossos parceiros. Estamos com aproximadamente 30 integradores/desenvolvedores de software que trabalham com o sistema Linear, ou seja, são mais de 30 pontos de vendas que ajudam a aumentar a nossa presença no mercado. Se tivéssemos que fazer isso sozinho não chegaríamos tão rápido como chegamos.

Revista Segurança Eletrônica: Em relação a novidades tecnológicas, o que vocês têm planejado para 2018?
André Dini: Nós apresentamos durante a ISC 4.0 alguns pro- dutos que estamos trabalhando, como o leitor de QR Code LN350R, que bastante fabricantes de software já trabalham e fazem essa integração. Temos também uma linha com um novo conceito de biometria, o modelo C2PRO, que trabalha em nuvem, saindo da carência de ter uma infraestrutura própria. Basta instalar a biometria, alimentá-la, colocá-la em uma rede Wireless – na nuvem – e pronto. E agora estamos entrando no segmento de fechaduras biométricas, com o mo- delo LN5000, que possui teclado e pode ser controlada por aplicativo no celular. Para esse começo de ano é isso, mas durante o ano teremos muitos produtos novos. A ideia com o Grupo Nice é também melhorar o aspecto visual do produto, tornando-os mais atra- entes, para começarmos a conquistar novos mercados, principalmente América Latina. Queremos aproveitar a rede de distribuição que a Nice já atua na América Latina e Estados Unidos e colocar gradativamente a Linear nesses distribuidores também. Já estamos trabalhando a questão dos manuais, dos catálogos em outras línguas para acelerarmos essa expansão.

Revista Segurança Eletrônica: Na parte de eventos, vocês estarão bem estruturados com a Nice na Exposec e vão participar dos Road Show Destaques da Segurança. O que podemos esperar em relação ao que será apresentado e como vai funcionar a questão de sempre mostrar a marca Nice para o cliente?
André Dini: Gradativamente a Nice está entrando na vida da Linear, vamos começar a difundir mais o Grupo e a marca sempre virá com destaque. Assim, as marcas que pertencem ao Grupo no Brasil (Peccinin, Genno e Linear) continuarão ativas como segmentos de mercado e divisões dentro da Nice. Isto está ocorrendo mundialmente com outras empresas que foram adquiridas nos últimos anos. A ideia é tornar a marca Nice cada vez mais forte nos mercados em que atua e a Linear se tornara uma linha de produtos em um segmento do Grupo Nice.

Revista Segurança Eletrônica: A Linear tem experiência nas soluções de portaria remota, e esse segmento é muito pouco utilizado fora do Brasil. Como o Grupo vê isso como oportunidade de negócios em outros países?
André Dini: Está dentro dos planos de expansão em mercados estratégicos fora do Brasil, principalmente Europa e África. Os mercados emergentes têm uma similaridade com o mercado brasileiro, como África do Sul, México e Turquia. A Nice tem operações em todos esses países e com certeza estamos trabalhando em conjunto com eles. Acreditamos que nos próximos cinco anos o mercado de portaria remota deve dobrar de tamanho. É um segmento que veio devagar e está evoluindo e apoia- mos muito esse desenvolvimento. Nosso papel é desenvolver hardwares e equipamentos, esse é o nosso mercado, e temos flexibilidade e sensibilidade de escutar o que o setor precisa e desenvolver uma solução para isso. O ciclo de produtos que desenvolvemos é baseado na necessidade do mercado.

Revista Segurança Eletrônica: Gostaria de deixar alguma mensagem para os nossos leitores?
André Dini: Antes de tudo, queremos transmitir essa segurança que nós, como funcionários da Linear, e hoje Nice, es- tamos tendo, hoje com o Grupo. A incorporação da Linear junto ao Grupo Nice só trouxe benefícios, foi uma transição tranquila, o Grupo tem alguns valores que são respeitados e mantidos, nós preservamos sempre o bem-estar do funcionário e do cliente e é isso que gostaria de deixar para eles, essa tranquilidade. Outra coisa que queria reforçar é o compromisso da Nice junto ao nosso país. O Brasil hoje é uma das prioridades de crescimento do Grupo. No segundo semestre começaremos uma fábrica, que será a nova sede, localizada em Limeira, São Paulo, que será totalmente sus- tentável, estamos também ampliando as operações da nossa planta em São Caetano do Sul e Santa Rita do Sapucaí-MG. A companhia está sempre aberta a novas oportunidades e aquisições, e instalar essa nova sede no país é uma prova desse compromisso.

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