Por Rafaela Silva, Business Development Manager na Genetec
O setor de datacenters no Brasil vive o maior ciclo de expansão da sua história. Os investimentos previstos até 2030 já superam R$ 200 bilhões, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Canadá, podendo chegar a cifras ainda mais elevadas. Hoje, o país concentra cerca de 71% das estruturas em construção na América Latina e já responde por mais de 60% da capacidade instalada da região.
E eu acredito que os maiores desafios estão justamente nesse parque já instalado, em produção, que ao mesmo tempo em que segue em expansão também enfrenta ameaças cada vez mais sofisticadas, tanto no ambiente físico quanto no cibernético. São essas instalações que hoje estão sendo colocadas à prova diariamente.
Muito se fala sobre os novos investimentos e sobre as grandes estruturas que ficarão prontas nos próximos anos. Mas é importante olhar também para as operações que já existem e que precisam, desde agora, iniciar sua jornada de modernização. Caso contrário, o setor corre o risco de acumular defasagens justamente no momento em que a demanda por capacidade, disponibilidade e proteção se torna ainda maior.
É nesse ambiente “em produção” que a capacidade de adaptação, expansão e continuidade realmente é validada. Por isso, não apenas os novos projetos merecem atenção. As operações existentes também demandam sistemas capazes de acompanhar essa evolução de forma contínua.
E, com este enquadramento, a segurança das operações, pessoas e patrimônio deixa de ser uma área de suporte para assumir um papel estratégico.
Ao prestar bastante atenção no atual cenário, consigo afirmar que a segurança física precisa evoluir. E, na minha visão, uma operação preparada para o futuro precisa considerar alguns pilares essenciais:
• Abertura tecnológica: sistemas abertos permitem integrar novas tecnologias e diferentes fabricantes ao longo do tempo, garantindo flexibilidade e evitando dependência excessiva de um único fornecedor.
• Base de dados robusta e estruturada: informações vindas de controle de acesso, videomonitoramento, sensores e alarmes precisam atuar de forma integrada para apoiar auditorias, investigações, conformidade regulatória e tomadas de decisão mais rápidas e assertivas.
• Presença local e continuidade de investimentos no Brasil: em operações críticas, não basta apenas oferecer tecnologia. É fundamental garantir suporte, estrutura e compromisso de longo prazo com o mercado brasileiro.
• Transparência comercial e previsibilidade: modelos claros, sem custos ocultos ou dependências inesperadas, são essenciais para garantir segurança financeira e sustentabilidade da operação ao longo do tempo.
Outro ponto central é a necessidade de uma atuação cada vez mais integrada entre segurança física, TI, Cybersegurança, Compliance, Jurídico e Recursos Humanos. A proteção das pessoas e do patrimônio também gera dados valiosos para auditorias, investigações e conformidades regulatórias.
Além disso, a convergência entre segurança física e cibernética já é uma realidade. Segundo a Verizon, 68% dos incidentes envolvem o fator humano, sendo 31% relacionados a credenciais comprometidas. Já a IBM aponta que 10% dos casos têm origem em acessos físicos indevidos. Dispositivos conectados, como câmeras IP, também vêm sendo explorados em atividades maliciosas, mostrando que as vulnerabilidades transitam constantemente entre o físico e o digital.
Esses dados mostram que não há mais separação entre esses dois mundos — algo que já presencio diariamente.
Apesar disso, muitas operações ainda lidam com sistemas fragmentados, como controle de acesso, videomonitoramento e alarmes desconectados entre si. Na prática, essa abordagem limita visibilidade, atrasa respostas e dificulta auditorias.
A adoção de uma plataforma unificada ajuda a mudar esse cenário. Ao integrar diferentes tecnologias em tempo real, torna-se possível correlacionar eventos, automatizar respostas e ganhar eficiência operacional. Um alerta de perímetro, por exemplo, pode ser automaticamente associado a imagens, credenciais e histórico, permitindo uma atuação mais rápida e assertiva.
Além de integrar, também é preciso garantir que essa base seja robusta, escalável e preparada para evoluir. A plataforma deve suportar múltiplas tecnologias, de analíticos com IA a biometria e sensores, garantindo integrações responsáveis, sustentáveis e preparadas para o longo prazo.
Por fim, acredito que a modernização da segurança deve ser encarada como uma jornada contínua. A evolução pode acontecer em fases, priorizando vulnerabilidades e avançando gradualmente para um ambiente mais integrado, inteligente e resiliente. Em um setor que sustenta a infraestrutura digital do país, preparar a segurança física para o futuro deixou de ser apenas uma decisão tecnológica. Hoje, é uma decisão estratégica de negócio.

