Camerite, de soluções de segurança, retoma franquias após investir R$ 12 mi em reestruturação com foco em IA

Empresa catarinense quer abrir 10 unidades até o final do ano e faturar R$ 25 milhões em 2026


Após cerca de dois anos dedicados a reestruturar a operação e desenvolver novas tecnologias, a Camerite, empresa catarinense de soluções de segurança eletrônica, acaba de retomar a expansão de sua rede de franquias. Com um investimento de cerca de R$ 12 milhões, aplicados em rebranding e, principalmente, em novas tecnologias, a empresa aposta em soluções com IA para crescer.

Fundada em 2012 sob o nome Vejo ao Vivo, a companhia começou como uma plataforma de transmissão e armazenamento de imagens. Com o avanço da inteligência artificial e a mudança nas demandas do mercado de segurança, a empresa se reposicionou e passou a desenvolver soluções capazes de interpretar informações a partir de vídeos, não apenas registrá-las. Hoje, conta com mais de 300 mil usuários ativos.

No franchising desde 2019, a decisão de frear a expansão foi tomada em 2024, quando o atual CEO, Vinicius Romano, assumiu o comando da companhia e identificou a necessidade de reposicionar o negócio. “Naquela época, os franqueados trabalhavam basicamente em projetos governamentais e colaborativos”, diz Romano, referindo-se ao modelo em que moradores compartilhavam o custo de câmeras instaladas em vias públicas. “Nós resolvemos segurar [a expansão] para melhorar a tecnologia e preparar um cenário melhor para os franqueados.”

Hoje, a Camerite conta com 80 franquias ativas, concentradas nas regiões Sul e Sudeste, e planeja fechar mais 10 unidades até o final de 2026. A intenção é manter o foco geográfico nas regiões onde a empresa já tem presença consolidada.

Segundo Romano, a pausa na expansão não significou encerramento de operações — a empresa apenas desacelerou a comercialização para reestruturar a plataforma e ampliar o leque de mercados atendidos, que hoje inclui indústria, varejo e condomínios, além do setor público, core do negócio.

No processo de reestruturação, a empresa totalizou um investimento de cerca de R$ 12 milhões. De acordo com Romano, o principal direcionamento do capital foi para a área de tecnologia. Hoje, um dos focos da empresa, é a solução Hórus, uma ferramenta que permite buscar pessoas, veículos e objetos em milhares de horas de gravações por características como cor de roupa, acessórios e tipo de veículo, reduzindo o tempo de análises manuais.

Para o CEO, o avanço da inteligência artificial representa uma mudança definitiva no setor. “Durante muito tempo, o valor do videomonitoramento estava concentrado na capacidade de armazenar imagens. Hoje, o grande desafio é conseguir interpretar essas informações. A inteligência artificial permite transformar vídeos em conhecimento, ajudando empresas e órgãos públicos a tomarem decisões mais rápidas e eficientes”, afirma o executivo, que ressalta que toda a operação segue a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

A evolução tecnológica da empresa também inclui recursos como reconhecimento facial autorizado, leitura inteligente de placas por meio do AutoOCR (software capaz de ler placas em qualquer câmera), detecção de pessoas, identificação de movimentações suspeitas, monitoramento perimetral, contagem de pessoas, detecção de aglomerações e geração de alertas personalizados conforme a necessidade de cada operação.

Resultados no setor público e diversificação

De acordo com a empresa, as soluções da companhia já apoiaram forças de segurança em mais de 50 municípios, contribuíram para a recuperação de mais de 450 veículos e operações que resultaram na apreensão de mais de 10 toneladas de drogas. Apesar dos resultados no setor público, que ainda respondem por 80% do faturamento da companhia, a Camerite busca diversificar sua base de clientes. O restante da receita provém de parceiros que utilizam a plataforma no modelo white label e do atendimento a empresas e clientes residenciais.

A retomada das franquias reflete essa estratégia. O modelo não exige loja física, pode operar em home office e funciona com receita recorrente por assinaturas baseadas em quantidade de câmeras e dias de armazenamento em nuvem. A arquitetura aberta da plataforma permite integração com equipamentos de diferentes fabricantes, eliminando a necessidade de substituir câmeras já instaladas — o que Romano afirma reduzir custos e acelerar a adoção por pessoas físicas e empresas. Atualmente, a Camerite opera como plataforma SaaS (Software como Serviço), sem vendas de equipamentos.

“A próxima geração do videomonitoramento não será definida pela quantidade de câmeras instaladas, mas pela capacidade de extrair inteligência das imagens produzidas por elas. Nosso objetivo é continuar desenvolvendo tecnologias que transformam dados em decisões mais rápidas, eficientes e estratégicas”, conclui Romano. Segundo o CEO, a empresa faturou R$ 24 milhões em 2025 e projeta ao menos R$ 25 milhões para este ano.


Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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