Projeto Pulsar 4.0 digitaliza o monitoramento, substitui verificações manuais por análises em tempo real e inaugura uma nova fase de prevenção operacional
A BAT Brasil, antiga Souza Cruz, é líder no mercado brasileiro de cigarros e uma das maiores indústrias do país. Fundada em 1903, está presente em cerca de 5 mil municípios e 250 mil pontos de venda, com mais de 4.600 colaboradores diretos. Desde 2020, após a reorganização global do grupo British American Tobacco, a operação brasileira passou a atuar como escritório central para a BAT na América Latina, que inclui Argentina, Chile, Cuba, Paraguai e Peru.
Em 2024, a BAT Brasil decidiu enfrentar um desafio recorrente em suas operações industriais: o monitoramento de segurança realizado de forma totalmente manual. Na planta de Uberlândia, técnicos de segurança precisavam estar fisicamente presentes nas áreas operacionais para observar comportamentos, acompanhar o uso de EPIs e identificar situações de risco, um processo demorado, de baixa eficiência e que não permitia visibilidade em tempo real sobre o ambiente. A fábrica foi escolhida como piloto do Pulsar 4.0, iniciativa voltada a modernizar esses processos e oferecer maior rapidez e precisão na identificação de riscos.
Segundo Ivo Frazão, Diretor de Inovação da WeSafer, a BAT buscava uma solução que desse mais visibilidade às situações críticas, melhorasse o controle sobre o uso de EPIs e reduzisse comportamentos de risco. Para isso, o Pulsar 4.0 substitui a observação exclusivamente humana por análise automatizada, capaz de identificar comportamentos de risco, monitorar EPIs e transformar dados visuais em informações acionáveis, com maior precisão e velocidade.
O projeto Pulsar 4.0 foi conduzido pela Avantia, empresa brasileira especializada em soluções de segurança eletrônica e inteligência operacional, em parceria com a WeSafer, unidade digital independente do grupo. A WeSafer foi responsável pela arquitetura de inteligência artificial e pela plataforma de análise em nuvem que centraliza todo o processamento.

Solução implementada
A infraestrutura do projeto combina câmeras já existentes na planta industrial com algoritmos de visão computacional desenvolvidos pela WeSafer, todos operando no modelo SaaS (Software como Serviço). O sistema identifica automaticamente situações como:
• Ausência de uso de EPIs obrigatórios;
• Movimentação irregular em áreas de risco;
• Não utilização de faixas de pedestres;
• Comportamentos que precedem quedas;
• Atividades classificadas como críticas.
As imagens capturadas pelas câmeras são enviadas diretamente para a nuvem, onde ocorre o processamento em tempo real. A plataforma consolida os eventos detectados, apresenta dashboards aos gestores e armazena clipes curtos de cada ocorrência para análises posteriores.
A transição do modelo puramente humano para o automatizado foi vista internamente como decisiva. “Estamos investindo em tecnologia de ponta para fortalecer ainda mais a cultura de segurança da BAT Brasil e impulsionar a performance dos nossos processos. A parceria com a Avantia é estratégica para alcançarmos esse objetivo com inovação e visão de futuro”, afirmou Robinson Pereira, coordenador de sustentabilidade da BAT e responsável pelo projeto Pulsar 4.0.
Do lado da Avantia, o entendimento foi semelhante. “A escolha da WeSafer como parceira tecnológica foi estratégica. Precisávamos de uma plataforma robusta, confiável e flexível, e encontramos isso em uma solução nacional, desenvolvida para os desafios da indústria. Estamos muito orgulhosos de liderar esse projeto ao lado da BAT Brasil”, disse Mário Tranche, Diretor Comercial da Avantia.
Resultados iniciais
Apesar de ainda não haver métricas quantitativas divulgadas, a BAT relata melhorias perceptíveis na operação. Entre os efeitos observados estão:
• Redução de comportamentos de risco identificados;
• Aumento da conformidade no uso de EPIs;
• Maior agilidade na identificação de situações críticas;
• Fortalecimento da cultura preventiva de segurança;
• Uso de registros reais para treinamentos internos.
Segundo Ivo Frazão, o principal avanço foi a capacidade de transformar dados visuais em informação acionável para a operação. “O processamento em tempo real permite consolidar eventos, identificar padrões e apoiar decisões fundamentadas. Esses dados têm sido utilizados inclusive para treinamentos personalizados de colaboradores, baseados em situações reais capturadas pelas câmeras, e possibilitam o cruzamento de informações com iniciativas de segurança integrada, ampliando a visão sobre os riscos operacionais”, afirmou.
Próximos passos
O Pulsar 4.0 integra uma estratégia mais ampla de transformação digital da BAT Brasil. Embora não haja confirmação oficial sobre novas fábricas que receberão o projeto, a empresa indica tendência de continuidade e expansão, à medida que os resultados qualitativos se consolidam e novos casos de uso surgem.
A iniciativa também posiciona a BAT Brasil dentro de um movimento global crescente: o da indústria que utiliza análise inteligente de vídeo para elevar eficiência operacional, reforçar a segurança e integrar processos antes fragmentados.
No caso da planta de Uberlândia, a transição do monitoramento manual para uma operação guiada por IA marcou o início de uma nova etapa, tanto tecnológica como cultural, com impactos diretos no modo como a empresa registra, avalia e responde aos riscos diários de uma operação industrial de grande porte.

