A importância do Gerenciamento de Risco

O Gerenciamento de Riscos no Brasil é uma ciência em desenvolvimento, com pouco tempo de existência e com muita ênfase em prevenção de roubos e acidentes no transporte rodoviário de carga. De antemão, peço desculpas aos historiadores e religiosos, pelos próximos parágrafos, mas vou me permitir escreve-los de forma singela para auxiliar a compreensão deste trabalho, o qual, vale lembrar, tem como cerne o Gerenciamento de Risco.

Pois bem, voltando ao tema, quando pesquisamos o assunto, verificamos que o “Gerenciamento de Riscos” existe desde a época do Renascimento, entre fins do século XIV, período marcado por grandes transformações, sociais, econômicas, culturais, políticas e religiosas e que marcou a transição do feudalismo para o capitalismo.

Nesta época a sociedade vivia sob as crenças e regras da Igreja Católica, era inconcebível, repudiável e, em alguns casos, severamente punível qualquer comportamento considerado inadequado, desafiador, temerário os preceitos e paradigmas impostos pela Igreja Católica.

Em meio a diversas transformações, grandes descobertas e muita turbulência religiosa, o homem precisou desenvolver a capacidade de analisar o cenário passado, correlacionando-o com o momento presente e projetando uma perspectiva de futuro para a evolução da sociedade em diversos segmentos, isto impulsionou o sistema econômico, por exemplo, o agricultor passou a produzir mais, de acordo com o resultado esperado/projetado.
Ato contínuo, cada vez mais pessoas começaram a pensar “fora da caixinha”, quebrando paradigmas e contribuindo para o avanço da sociedade.

Com o passar dos anos e o fim da Inquisição praticada pela Igreja Católica, o Gerenciamento de Risco foi se desenvolvendo e participando cada vez mais da evolução social, econômica, cultural e política, até chegarmos no mundo moderno.

Atualmente, o Gerenciamento de Riscos está muito presente em estratégias militares e políticas de desenvolvimento econômico de todas as nações, impossível negar que os chamados países de “primeiro mundo” investem muito mais tempo e dinheiro com o Gerenciamento de Risco, pois isto lhes trás segurança, conhecimento, confiança, capacidade de decisão, assertividade nas ações e por consequência, soberania.

No mundo moderno tivemos alguns acontecimentos que determinaram a necessidade do Gerenciamento de Risco, eu penso que, o grande marco foi o ataque de 11 de setembro de 2001, ocorrido nos EUA, contra as torres gêmeas. Os EUA que já eram a maior potência naquela época, passaram a analisar e classificar o risco de maneira diferente, assim como, diversas outras nações passaram a analisar e classificar os riscos com maior atenção.

Se pesquisarmos nos mais diversos dicionários da língua portuguesa o significado da palavra “Gerenciar” e “Risco”, chegaremos a conclusão que Gerenciar significa “fazer gestão” ou “administrar” e Risco significa “perigo”, logo podemos dizer que Gerenciar Riscos, nada mais é do que administrar o perigo, nos mais variados tipos. A ISO 31000, que busca a harmonização do processo de gestão de risco, define a palavra risco como, “efeito da incerteza nos objetivos”.

Sendo assim, podemos concluir que quase 100% da população faz gerenciamento de risco no seu dia a dia, estou dizendo quase 100% porque obviamente excluo deste rol os incapazes de tomar decisão (crianças e/ou deficientes mentais), vejamos alguns exemplos de gerenciamento de risco do dia a dia:

• O adolescente que estuda o final de semana inteiro para fazer uma prova: ele pode estar preocupado em ser reprovado; pode estar preocupado em ficar de castigo se tirar nota baixa; pode estar preocupado em não aprender corretamente a matéria; em todos os casos ele está gerenciando risco.

• O chefe de família que decide pagar as contas de água e luz no dia seguinte ao recebimento do seu salário.

• A pessoa que decide contratar um plano de saúde.

• O motorista que decide parar seu carro em um estacionamento ao invés de deixa-lo estacionado em via pública.

• O Eletricista que utiliza equipamento de proteção individual (roupa / luva / bota / óculos / ferramentas) para realizar a manutenção em uma rede elétrica.

• O Comando da Polícia Militar ao distribuir o efetivo de policiais que farão o patrulhamento em determinadas áreas.

Poderíamos citar milhares de outros exemplos de gerenciamento de risco, o rol acima é meramente exemplificativo.

A Gestão de Risco é importante para qualquer área de atuação, pois possibilita a manutenção e desenvolvimento do negócio.

Entendido o conceito geral de Gerenciamento de Riscos e a sua importância podemos analisar Riscos Corporativos, o que faremos em breve.

Rodolfo Daniel Veiga é Advogado e Gerente de Projetos de Gerenciamento de Risco do Grupo Apisul.

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