Câmeras ajudam empresas a reduzir desperdícios e emissões sem instalar novos sensores

Inteligência artificial aplicada às imagens permite identificar padrões de uso dos espaços e apoiar decisões de eficiência operacional


Reduzir desperdícios e cortar emissões costuma evocar a imagem imediata de obras, novos equipamentos ou redes complexas de sensores. Existe, porém, um atalho frequentemente esquecido: olhar para a infraestrutura que já está pendurada na parede. As próprias câmeras de videomonitoramento da empresa, loja, indústria, residência ou condomínio podem ser essa fonte primária de dados.

A virada de chave acontece quando a inteligência artificial passa a ler essas imagens para decifrar a rotina dos ambientes, isto é, como e quando as pessoas circulam e ocupam cada espaço. A partir desses padrões, fica fácil ajustar horários, rever processos e cortar consumos desnecessários.

O peso da agenda ambiental e o uso inteligente de dados

A discussão também ganhou força à medida que as empresas passaram a olhar para eficiência operacional como parte da agenda ambiental. No Brasil, 757 organizações apresentaram ao Programa Brasileiro GHG Protocol inventários referentes às emissões de 2025, número recorde e 12% superior ao ciclo anterior. O levantamento mostra ainda que 62% das participantes possuem metas voluntárias de redução de gases de efeito estufa.

De acordo com Vinicius Romano, CEO da Camerite, a utilização das imagens pode contribuir para esse processo sem exigir necessariamente uma nova camada de equipamentos. “As câmeras já estão presentes em muitos ambientes corporativos ou residenciais. Quando conseguimos aplicar inteligência artificial a essas imagens, elas passam a oferecer informações que vão além da segurança e podem ajudar a entender melhor como seus espaços são utilizados”, afirma.

Na prática, a análise pode ajudar a responder perguntas simples, mas relevantes para a operação: uma área permanece ocupada depois do horário de expediente? Existem espaços que ficam vazios durante longos períodos? Determinados ambientes são utilizados com frequência muito menor do que o previsto?

Diagnóstico visual a favor da eficiência

Com essas respostas em mãos, a gestão ganha base firme para calibrar o uso de iluminação, climatização, limpeza, funcionamento de determinadas áreas e organização dos locais. O sistema não mede quilowatts nem substitui instrumentos técnicos de medição; a sua força está em contextualizar como o ambiente é vivido. “Quando se identifica que determinado espaço permanece vazio durante boa parte do dia, por exemplo, deve-se avaliar se faz sentido manter a mesma rotina de iluminação, climatização ou operação naquele ponto. A imagem ajuda a enxergar o comportamento do ambiente”, pondera Romano.

Outro ponto importante é que esse tipo de aplicação aproveita uma infraestrutura já existente. Em vez de começar pela instalação de novos dispositivos, é possível analisar primeiro quais informações podem ser extraídas das imagens existentes. “Obter mais valor de uma estrutura pronta é o caminho mais racional para buscar eficiência. Trata-se de converter dados visuais em decisões pragmáticas”, resume o CEO da Camerite.

Para quem deseja eliminar excessos, a provocação que fica é simples: o que as imagens das suas câmeras diriam sobre os espaços ocupados hoje? A resposta pode revelar oportunidades que sempre estiveram ali, à vista de todos, mas que ainda não tinham sido percebidas.

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