Empresa segue disciplina financeira e um portfólio diversificado que a diferencia das rivais estrangeiras
Após o pico de demanda na pandemia de covid-19, a indústria eletrônica global enfrentou a desorganização nas cadeias de suprimentos, a alta dos preços dos semicondutores e a queda de consumo diante da escalada dos juros. Isso levou praticamente a uma estagnação do setor em 2023.
Para enfrentar a situação, a catarinense Intelbras manteve a disciplina operacional, com foco em rentabilidade e geração de caixa, e investiu em um portfólio de produtos concentrado na segurança, um segmento em forte expansão. A estratégia permitiu que a receita líquida crescesse 9% de 2022 a 2025 e alcançasse 4,1 bilhões de reais. Ao mesmo tempo, o patrimônio líquido aumentou 34%, para quase 3 bilhões de reais. O desempenho assegurou à Intelbras o posto de campeã na categoria eletroeletrônica da edição especial TOP30 — As Melhores Empresas do Brasil.
Para o seu presidente, Henrique Fernandez, a companhia se diferencia da concorrência formada sobretudo por estrangeiros ao apostar em um “catálogo brasileiro” de produtos. “Temos engenharia nacional, pós-venda em português e presença em 98% dos municípios do país”, afirma Fernandez. “Por estarmos próximos dos clientes, executamos tudo com rapidez.” A estrutura local permite também que a Intelbras aproveite o bom momento do mercado. No ano passado, a indústria brasileira de produtos eletrônicos cresceu 4% e faturou um valor recorde de 270 bilhões de reais. O segmento de segurança eletrônica, que representa a maior parcela das receitas da empresa, avançou bem mais: 13%.
O cenário positivo levou a Intelbras a anunciar em abril um investimento de 200 milhões de reais na construção de uma fábrica na Zona Franca de Manaus (AM) para produzir equipamentos de segurança. “Conseguiremos automatizar mais o processo, centralizar mais a operação e ter um custo de produção ainda mais competitivo”, afirma Fernandez.
Embora os equipamentos de segurança sejam seu principal negócio, a empresa também atua em outras áreas, como conectividade, redes, energia, comunicação e soluções inteligentes para cidades. “Essa diversificação reduz os riscos e amplia as oportunidades de crescimento”, afirma Sandro Breval Santiago, professor da Universidade Federal do Amazonas e pesquisador da integração de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, com os processos produtivos — a chamada indústria 4.0 — no Polo de Manaus.
Para ele, o portfólio da Intelbras está bem sintonizado com as atuais tendências de mercado. “Existe uma demanda crescente por proteção patrimonial, cidades inteligentes, digitalização de serviços e integração entre dispositivos.” Para reforçar os ganhos, a Intelbras tem valorizado cada vez mais os indicadores de eficiência operacional e os de retorno financeiro, o que se traduz em maior disciplina na alocação de recursos e na preservação do caixa. Afinal, crescer com segurança e sem jogar dinheiro fora é sempre um bom negócio.

