Segurança pública domina a largada da campanha presidencial de 2026

Lula e Flávio Bolsonaro abriram oficialmente a disputa pelo Planalto no último domingo com discursos centrados no combate ao crime, tema que promete pautar o debate eleitoral e as políticas do setor nos próximos meses


A campanha eleitoral de 2026 começou com a segurança pública no centro do palanque. Em seus primeiros atos oficiais como candidatos à Presidência da República, tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elegeram o tema como eixo de seus discursos, sinalizando que a agenda de combate ao crime organizado deve orientar propostas, investimentos e marcos regulatórios que impactam diretamente o mercado de segurança no país.

Em São Bernardo do Campo (SP), cidade onde iniciou a carreira sindical nos anos 1970, Lula reconheceu implicitamente a segurança pública como ponto vulnerável de seu governo e prometeu prender os líderes do crime organizado. O presidente também defendeu a aprovação da PEC da Segurança, proposta em tramitação no Congresso Nacional que amplia os poderes da União no enfrentamento ao crime, com potencial de redesenhar a coordenação entre forças federais e estaduais e, por consequência, a demanda por tecnologias de monitoramento, integração de dados e inteligência.

No mesmo dia, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro lançou sua candidatura com críticas duras ao governo federal justamente no campo da segurança. “O governo ‘compra briga’ com um país a 10 mil quilômetros de distância, mas não com traficantes”, afirmou o senador, em referência aos Estados Unidos. Flávio pediu ainda homenagens ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e defendeu seu candidato a vice, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

O peso dado ao tema pelos dois principais nomes da disputa confirma uma tendência já percebida pelo setor: a segurança deve ser o principal campo de batalha eleitoral de 2026. Para a indústria de segurança eletrônica, o desdobramento mais concreto a acompanhar é a tramitação da PEC da Segurança, cujo desenho final pode influenciar desde licitações públicas até a integração de sistemas de videomonitoramento e bancos de dados entre os entes federativos.

Segundo o Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), o ato de Flávio Bolsonaro em Copacabana reuniu 8,9 mil pessoas em seu auge. O público do evento de Lula em São Bernardo do Campo não pôde ser estimado porque a organização não autorizou o sobrevoo de drones no local.

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