Serviços impulsionam crescimento da cibersegurança e redefinem modelo de negócios do setor

O mercado de cibersegurança passa por uma mudança estrutural em seu modelo de negócios. Em vez da venda de licenças de software, cresce a demanda por serviços gerenciados capazes de operar plataformas de segurança, responder a incidentes e entregar resultados contínuos para as organizações.

A tendência foi destacada pela Sequoia Capital no estudo Services: The New Software, segundo o qual a inteligência artificial acelera a transformação do software em um habilitador de serviços. A análise defende que empresas deixarão de vender ferramentas para entregar diretamente o resultado esperado pelo cliente, modelo definido como “autopilot” ou “outcome as a service”. Um dos argumentos apresentados é que, para cada dólar investido em software, aproximadamente seis dólares são destinados à execução dos serviços associados.

Na avaliação da Sequoia, esse movimento tende a ser especialmente relevante em segmentos como serviços gerenciados de TI e cibersegurança, onde atividades como monitoramento, gestão de vulnerabilidades, provisionamento de usuários e tratamento de alertas podem ser cada vez mais automatizadas por IA, mantendo especialistas focados nas decisões mais complexas.

A estratégia já aparece na operação da brasileira OSTEC. Fundada como desenvolvedora de software, a empresa afirma que mais de 50% do crescimento registrado nos últimos três anos veio da expansão da oferta de serviços. Atualmente, essa área responde por cerca de 30% da receita e a expectativa é que sua participação dobre nos próximos dois anos.

Segundo a empresa, a mudança ocorreu à medida que tecnologias antes consideradas diferenciais, como antivírus e outras soluções de proteção, passaram por um processo de commoditização. Em resposta, a OSTEC estruturou um portfólio baseado na operação dos ambientes de segurança, utilizando tecnologias próprias e de terceiros conforme a necessidade de cada cliente.

Hoje, a companhia adota uma abordagem agnóstica, integrando software, hardware e plataformas de diferentes fabricantes em uma oferta centrada na operação da segurança. O foco passa a ser a redução de riscos, a continuidade operacional e a evolução permanente dos ambientes protegidos, em vez da comercialização de produtos específicos.

O movimento acompanha uma tendência observada em todo o mercado. Com a crescente sofisticação dos ataques cibernéticos e a incorporação da inteligência artificial às operações de defesa, empresas têm ampliado a contratação de serviços gerenciados para lidar com a escassez de profissionais especializados, acelerar a resposta a incidentes e reduzir a complexidade operacional.

Nesse cenário, software e hardware deixam de ser o elemento central da proposta de valor e passam a atuar como componentes de uma camada mais ampla de serviços, análise e operação contínua. A expectativa é que essa transformação se intensifique nos próximos anos, impulsionando modelos em que a contratação é orientada pelos resultados entregues, e não apenas pela tecnologia utilizada.

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