Investimento em tecnologia faz toda a diferença para combater a sofisticação criminosa

Por Marco Antônio Barbosa, especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil


No último mês de março, mais um homicídio evidenciou como os criminosos buscam falhas na segurança para agir. E às vezes um detalhe que parece inofensivo é o causador de tudo. Um homem foi morto após bandidos usarem um controle de portão eletrônico clonado para invadir a casa onde ele morava na Zona Norte de São Paulo. Uma vida foi perdida por um controle que é vendido online por até R$ 35.

O caso escancara a importância do investimento em controles de portões com tecnologia antifraude que, neste caso grave, teria evitado a invasão. Porém, traz uma outra discussão à tona: cancelas, catracas e identificações faciais são tecnologias que, sozinhas, já não conseguem manter a segurança, por mais caros que sejam os seus sistemas. O crime sempre busca brechas. E ainda tem encontrado muitos espaços, infelizmente.

Dados divulgados pelo governo federal confirmaram a ocorrência de 4.582 homicídios dolosos, quando há intenção de matar, no primeiro bimestre do ano. Embora o registro represente uma queda de 18,46% em relação ao número de delitos desta natureza somados no mesmo período de 2025, essa quantidade significou uma média de 78 mortes por dia nos dois meses iniciais de 2026, quando a taxa de homicídios dolosos, por estado, também foi de 12,83 por 100 mil habitantes. São três assassinatos por hora em dois meses. Um número alarmante.

O grau de inteligência utilizado nos sistemas de segurança não precisa somente de tecnologia, mas também de um planejamento geral para identificar possíveis falhas que podem ser aproveitadas pelos criminosos. Entretanto, a segurança particular é só um braço quando olhamos de forma macro para a criminalidade. Com atuação ineficiente, o poder público e o judiciário acabam mais incentivando a prática ilícita do que propriamente coibindo, o que deveria ser o papel institucional de cada um deles. Isso porque as leis ainda são muito brandas e a Justiça altamente morosa. A maioria dos criminosos presos nesta ação citada acima já era composta por reincidentes, sendo dois deles oficialmente procurados.

A ineficiência da legislação atual contra os criminosos colabora de maneira importante para que delinquentes fiquem impunes em diversos casos. Essa é uma tríade complexa, na qual a gente vê a segurança pública tentando combater o crime de um lado enquanto, em outras duas vertentes, há os processos em andamento com os meliantes e o sistema judiciário julgando os casos com leis cheias de brechas e que, por muitas vezes, são permissivas, lenientes e aplicadas de forma demorada.

As empresas particulares assumem o espaço de munir condomínios, empresas e cidadãos com tecnologia de ponta para tentar prevenir danos, mas a população precisa cobrar mais rapidez e pulso das autoridades. Somente assim, poderemos viver em cidades mais seguras.

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