Brasil tem mais de 21 mil bancos de dados expostos, revela levantamento

Mais de 21 mil bancos de dados estão expostos publicamente na internet brasileira, colocando em risco informações pessoais, financeiras e corporativas de milhares de organizações. É o que revela um boletim da ISH Tecnologia, principal empresa nacional de cibersegurança – globalmente, o número ultrapassa 1 milhão de bancos vulneráveis. 

Os bancos de dados em questão pertencem ao PostgreSQL, um dos sistemas mais utilizados em empresas de tecnologia, plataformas de e-commerce, instituições educacionais e órgãos públicos. Quando configurado de forma inadequada e exposto diretamente à internet, torna-se alvo fácil para ataques automatizados. Os riscos vão desde o roubo e venda de dados em fóruns clandestinos até a extorsão com ameaças de vazamento público, passando pela interrupção de serviços críticos e pela implantação de mensagens de resgate dentro das tabelas do banco. 

O material da ISH revela que empresas de tecnologia, startups, plataformas SaaS (Software as a Service), instituições educacionais e órgãos públicos estão entre os segmentos mais afetados. Em muitos casos, os bancos expostos contêm credenciais, registros financeiros das empresas, dados pessoais de colaboradores e tokens de API – que são chaves digitais usadas para permitir que sistemas diferentes “conversem” entre si de forma segura. Quando comprometidos, esses tokens podem dar aos criminosos acesso indevido a serviços e aplicações conectadas, ampliando o alcance do ataque. 

Além de informações vazadas, as consequências da exposição desses bancos incluem multas regulatórias previstas pela LGPD, danos reputacionais, perda de propriedade intelectual e comprometimento da cadeia de suprimentos digital, o que afeta por consequência clientes e parceiros. A ISH destaca ainda que os dados roubados podem ser reutilizados em ataques futuros, como campanhas de fraude e phishing.  

Para reduzir riscos, a empresa afirma que a maior recomendação é nunca expor bancos de dados diretamente à internet, restringindo o acesso por meio de VPNs e firewalls, além de adotar senhas fortes e autenticação multifator, mitigando a possibilidade de invasões. Também é essencial monitorar logs de acesso, implementar criptografia em trânsito e em repouso e segmentar ambientes de desenvolvimento, homologação e produção para evitar exposição indevida. 

Segundo a ISH, medidas simples de configuração já são de grande ajuda para evitar que bancos de dados se tornem alvos fáceis de campanhas criminosas em larga escala.

Notícias Relacionadas