Por Vicente Cárdenas, Líder de Etiquetagem na Origem para a América Latina da Sensormatic Solutions
Em um mercado dinâmico como o do varejo na América Latina, a precisão na gestão de estoque é um fator crítico. Perdas associadas ao inventário, como roubo, falhas operacionais e devoluções fraudulentas somam bilhões em prejuízo todos os anos e representam um grande desafio na região. Cada erro na cadeia de suprimentos acarreta um custo. Desde produtos mal posicionados e falhas em contagens cíclicas até envios incorretos e devoluções fraudulentas, a falta de visibilidade tem gerado impactos significativos.
Em 2024, as perdas no varejo brasileiro causaram prejuízo de R$ 36,5 bilhões ao setor, segundo a última pesquisa da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (ABRAPPE).
No Chile, o VI Estudo de Perdas no Varejo, produzido pela Câmara de Comércio de Santiago, reportou prejuízos de US$ 253 milhões em 2023, o que equivale a 1,43% das vendas do setor, devido, principalmente, a roubos e erros de inventário.
No México, os furtos cometidos em lojas de autosserviço aumentaram 11,5% ao ano, segundo dados mais recentes do Conselho Nacional de Segurança Privada, publicados pelo jornal La Jornada.
A Colômbia também enfrenta desafios. O Censo Nacional de Perdas de 2024 aponta que a perda operacional chegou a 1,60% sobre as vendas, sendo que o furto interno e externo representou mais de 40% das perdas desconhecidas.
Como resposta a esse cenário, a Identificação por Radiofrequência (RFID) vem trazendo mudanças significativas na região. Ao transformar cada produto em um ativo inteligente, capaz de ser rastreado em tempo real, a tecnologia alcança níveis de precisão próximos a 99%, reduzindo perdas em até 30% e acelerando processos como contagens massivas e pagamentos sem contato.
No entanto, é essencial que a etiquetagem dos produtos seja feita corretamente. Do contrário, os dados gerados serão imprecisos e o investimento perderá valor.
É aqui que entra a etiquetagem na origem. Essa prática consiste em aplicar etiquetas RFID diretamente na fábrica ou no centro de distribuição, seguindo procedimentos rigorosos para garantir que cada item chegue ao varejista pronto para a venda. Dessa forma, eliminam-se processos manuais na loja, otimiza-se a mão de obra e reduz-se o risco de erros humanos. Além disso, a etiquetagem na origem permite proteger produtos de alto risco desde o início, evitando furtos e garantindo uma exposição aberta e segura para o cliente.
A adoção de RFID na América Latina vem acelerando, especialmente no setor de moda, que lidera a incorporação da tecnologia impulsionado pela necessidade de omnicanalidade e controle de devoluções. Um estudo realizado pela fabricante Zebra aponta que 58% dos líderes logísticos na região planejam implementar RFID até 2028 para melhorar a visibilidade e reduzir rupturas de estoque.
No Brasil, a Renner, uma das maiores redes de fast fashion do país, conseguiu uma redução de 87% na ruptura de seus estoques, graças a uma implementação de ponta a ponta da tecnologia RFID.
A etiquetagem na origem também vem ganhando espaço em categorias complexas e de alto valor agregado, como cosméticos, vinhos, destilados e artigos de luxo, em que proteção e apresentação são fundamentais.
Os benefícios do RFID não se restringem à prevenção de perdas, proporcionando também melhor eficiência operacional. Ao receber mercadorias prontas para comercialização, os colaboradores podem dedicar mais tempo a tarefas como atendimento ao cliente e vendas. Além disso, essa prática contribui para uma gestão de inventário mais eficiente, evitando rupturas e reduzindo excessos de pedidos. A rastreabilidade completa também ajuda a prevenir fraudes internas em centros de distribuição e unidades de fabricação.
O varejo latino-americano avança cada vez mais rápido rumo à digitalização e à omnicanalidade, e uma maior adesão ao RFID desde a origem deve acelerar esse processo na região, pois trata-se de uma estratégia completa para reduzir perdas, otimizar inventários e melhorar a experiência do consumidor, tornando-se um diferencial na operação com dados confiáveis e na prevenção de erros invisíveis que podem causar prejuízos milionários.

