Inteligência Artificial aplicada às Smart Cities

Por Renan Antoniolli

O futuro está mais próximo do que imaginamos, prova disso é o crescente uso da Inteligência Artificial, ou AI – Artificial Inteligence em inglês, na rotina das pessoas. Ela possibilita que as máquinas aprendam com experiências e se ajustem a novas entradas de dados, performando tarefas como seres humanos. Muitos nem percebem, mas a AI já está presente em nosso dia a dia, por meio de aplicativos e até mesmo nas grandes cidades, em projetos que envolvem o conceito de Smart City, nos quais determinados espaços urbanos são palco de experiências de uso intensivo de tecnologias de comunicação e informações de gestão urbana.

As Smart Cities ganharam atenção nos últimos anos por conta do aumento da urbanização global. Em 2014, o equivalente a 54% da população mundial vivia em cidades, com tendência a crescer 1,84% por ano até 2020, um cenário que cria demanda por serviços mais eficientes. Uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indicou que o uso das tecnologias da informação e comunicação – parte integrante das Smart Cities e Indústria 4.0 – pode melhorar a entrega de serviços públicos e os resultados das políticas públicas em áreas como segurança, mobilidade, melhor uso de recursos e desenvolvimento sustentável.

Quanto mais recursos de AI integrados, mais a cidade é inteligente. Podemos afirmar que hoje 80% da AI presente nas Smart Cities são baseadas em recursos de vídeo. Além disso, uma Cidade Inteligente é baseada em diversos pilares, como segurança, educação, sustentabilidade, mobilidade, entre outros, e a AI deve integrar cada um deles.

Segurança

O uso da Inteligência Artificial para esse pilar é muito importante, visto que é possível realizar controle de acesso às cidades, monitoramento, reconhecimento facial na busca de pessoas desaparecidas, além da integração com a Polícia Militar, Civil e outras autoridades. O uso de viaturas inteligentes com DVR veicular também vem sendo um destaque, assim como a análise de comportamento de indivíduos a fim de evitar sequestros e roubos.

Gerenciamento de cidades

Por meio do monitoramento das cidades, é possível gerenciar a coleta de lixo, rondas policiais, monitoramento de eventos, detectar incêndios, fogo e fumaça, vandalismo e até mesmo terremotos e inundações, evitando diversas tragédias e melhorando a qualidade e eficiência dos serviços públicos.

Mobilidade urbana

A mobilidade de uma Cidade Inteligente melhora exponencialmente quando aplicamos a AI, já que é possível, por exemplo, monitorar o tráfego em tempo real, detectar acidentes até mesmo antes de acontecerem e emitir avisos e alertas às autoridades. Um exemplo dessa aplicação é a parceria entre a Intelbras e a start up Infravias, que juntas desenvolveram um ponto de ônibus que agrega segurança, acessibilidade e conforto aos usuários do transporte público, utilizando ferramentas de tecnologia, como o sistema de câmeras para monitoramento e sua interligação com a polícia e central de controle do transporte coletivo. O ponto está sendo desenvolvido como proposta para revitalização do bairro Vila A, em Foz do Iguaçu. Ele faz parte de um grande projeto de planejamento urbano focado em sustentabilidade, em parceria com a prefeitura municipal.

Saúde

O uso da AI traz muitos benefícios também para a área da saúde e a sua aplicação é extremamente abrangente. Um exemplo é a criação de sistemas em que o cidadão possa saber se o remédio que ele necessita está disponível na rede pública ou até mesmo se o seu médico está disponível para consultas, tornando o serviço mais eficiente.

Sustentabilidade

O uso de novas tecnologias, como painéis solares para a captação de energia, também torna as cidades mais inteligentes e promove o uso de energia limpa, abastecendo os carros elétricos, fazendo surgir assim mais soluções para a questão da sustentabilidade nas cidades.

É importante lembrar que antes de uma cidade se tornar inteligente ela precisa ser digital, isso porque para utilizar as ferramentas de AI é preciso que haja conectividade e energia. Essas áreas estão todas interligadas, pois a integração dos equipamentos, dados e informações depende da conectividade.

Quanto mais inteligente a cidade, maior a quantidade de câmeras, o que gera uma demanda maior de monitoramento de todos os vídeos produzidos em tempo real. Por consequência, isso motiva um número menor de pessoas envolvidas no processo de monitoramento visual, o que é denominado de paradoxo da cegueira: quanto mais câmeras instaladas, menor a atenção humana aos eventos. É nesse caso que entra a AI, pois ela se encarrega dessa tarefa, gerando alertas do que realmente necessita ser monitorado pelos olhos humanos, facilitando o trabalho e otimizando os processos.

Deste modo, percebemos que o uso da Inteligência Artificial será cada vez mais recorrente, não somente nas Smart Cities, mas também na rotina do cidadão como um todo. Investir em equipamentos e ferramentas eficientes permite que cada vez mais, a qualidade de vida das pessoas melhore e a vida nas cidades se torne mais fácil.

Renan Antoniolli é executivo comercial de Soluções & Projetos da Intelbras. Formado em Engenharia de Telecomunicações pela FURB e pela Universidade do Porto, Portugal, e com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Possui mais de 15 anos de experiência na área de tecnologia, e é especialista em projetos de cidades digitais e inteligentes.

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